Representantes brasileiros torcem para que a derrota do americano nas urnas torne mais fácil a derrubada do tarifaço
Num daqueles movimentos pendulares típicos da política, Lula ganhou força e Donald Trump perdeu fôlego após as eleições realizadas recentemente no Brasil e nos Estados Unidos. Com uma virada histórica, o petista conquistou a reeleição, resistiu à onda de vitórias da direita na América do Sul e passou a ser festejado no exterior como um símbolo da resistência ao extremismo.
Já o mandatário americano sofreu um senhora derrota nas eleições de meio de mandato nos EUA, nas quais os Republicanos, partidários de Trump, perderam a maioria que tinham tanto na Câmara quanto no Senado. Os rivais Democratas, que agora dominam as duas Casas do Congresso, ainda ficaram à frente na maior parte dos governos estaduais.
A grande dúvida é como Trump reagirá ao revés nas urnas. A reação dele interessa inclusive ao Brasil, que tem uma pauta repleta de assuntos espinhosos para tratar com os Estados Unidos. O mais conhecido deles diz respeito aos tarifaços impostos pelo governo americano às exportações brasileiras.
A gestão Lula apresentou argumentos técnicos para tentar derrubar as sobretaxas, mas foi ignorado até agora pela equipe de Trump. Em parceria com companhias americanas, empresas brasileiras até conseguiram livrar alguns produtos e setores do tarifaço, mas o tema, de impacto bilionário, continua a tensionar a relação diplomática entre os dois países.
Como o azedume da população com o custo de vida é apontado como uma das causas da lavada dos Democratas sobre os Republicanos, há a expectativa do lado brasileiro de que Trump, por uma questão de sobrevivência política, recue da investida contra o Brasil ou pelo menos atenue a amplitude do tarifaço, que encareceu produtos consumidos nos EUA.
Por enquanto, nada indica que tal recuo acontecerá. O americano, como se sabe, é imprevisível. Não há certeza nem mesmo se uma reunião entre as equipes técnicas dos dois países, prevista para este mês, realmente ocorrerá. Em 2024, o Brasil exportou 40,36 bilhões de dólares para os Estados Unidos. Em 2025, quando o primeiro dos tarifaços foi imposto, o valor caiu para 37,68 bilhões de dólares.
De campos políticos distintos, Lula e Trump mantêm uma relação pessoal de idas e vindas, intercalada por declarações amistosas e embates verbais. As diferenças entre eles não são apenas de cunho eleitoral. Há divergências em diversos temas sensíveis, como a exploração de minerais críticos, a regulação das big techs e as pretensões hegemônicas dos EUA na Ameríca Latina.
Fonte: veja.abril.com.br