Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Ibovespa sobe mais de 1% com eleições no radar, apesar de inflação acima do esperado

Alta da Bolsa ocorre após pesquisa Datafolha reforçar expectativas de mudança na política fiscal; IPCA de 0,82% traz cautela sobre cortes da Selic

O Ibovespa opera em alta nesta sexta-feira, 9, impulsionado pelo otimismo dos investidores com o cenário eleitoral brasileiro, mesmo após a divulgação de uma inflação acima das expectativas. O principal índice da Bolsa brasileira avançava 1,06%, aos 208 404 pontos, enquanto o dólar recuava, em um movimento que contrasta com a valorização da moeda americana no exterior.

A recuperação ocorre após uma semana marcada por fortes oscilações. Na segunda-feira, 5, o Ibovespa disparou em reação ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais e chegou a atingir a máxima de aproximadamente 209,6 mil pontos. Nos pregões seguintes, o mercado passou por uma realização de lucros, pressionado também pela alta do petróleo e pelas perspectivas de novos aumentos dos juros nos Estados Unidos.

Apesar dos ajustes, a Bolsa encerrou a quinta-feira acima dos 206 mil pontos, preservando parte dos ganhos acumulados desde o início da semana. A entrada de capital estrangeiro também contribuiu para sustentar a valorização dos ativos brasileiros.

Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a semana foi marcada por dois movimentos distintos: a reação positiva ao primeiro turno e, posteriormente, a cautela provocada pelo ambiente internacional. Nesta sexta-feira, porém, o cenário doméstico voltou a ganhar protagonismo. A pesquisa Datafolha que aponta Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos votos válidos reforçou, entre parte dos investidores, a expectativa de uma possível mudança na condução da política fiscal.

Continua após a publicidade

Para Lima, o desempenho do câmbio mostra como o cenário eleitoral voltou a influenciar as decisões dos investidores. Nesta sexta, o dólar recua mesmo com a moeda americana subindo no exterior, sinal de que o componente doméstico ganha peso, afirma. O mercado associa uma eventual alternância de poder à possibilidade de maior controle das despesas públicas. Essa avaliação, entretanto, ainda depende das propostas econômicas apresentadas pelos candidatos e da capacidade de aprovação das medidas no Congresso.

Inflação acima do esperado limita otimismo

Se o cenário eleitoral contribui para a valorização da Bolsa, a inflação representa um fator de cautela. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,82%, acima da projeção de 0,76% do mercado, uma diferença de 0,06 ponto percentual.

Continua após a publicidade

Parte da aceleração dos preços está relacionada ao fim do desconto na conta de energia elétrica. Ainda assim, o resultado aumenta a atenção dos investidores sobre a trajetória da inflação e seus possíveis efeitos sobre as decisões do Banco Central. Para Lima, o resultado pode dificultar uma redução mais rápida dos juros e limitar a recuperação de setores dependentes do consumo. O IPCA funciona como um freio nesse otimismo. A inflação de 0,82% superou a projeção de 0,76% em 0,06 ponto percentual e exige mais cautela com os cortes da Selic, afirma.

Juros elevados por mais tempo encarecem o crédito, dificultam o consumo e pressionam empresas de setores mais dependentes de financiamento, como varejo e construção civil. No mercado de câmbio, entretanto, taxas de juros mais altas podem favorecer o real ao aumentar a atratividade dos investimentos brasileiros, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas.

Continua após a publicidade

O que esperar da Bolsa na próxima semana?

Após o feriado de segunda-feira, 12, a B3 retomará as negociações na terça-feira, 13, quando os investidores deverão incorporar as notícias eleitorais e internacionais acumuladas durante o intervalo. Entre os principais fatores de atenção estarão as próximas sinalizações dos candidatos sobre política fiscal, a evolução dos preços do petróleo e possíveis revisões nas expectativas para a inflação e os juros.

Na avaliação de Lima, caso o fluxo de capital estrangeiro continue e o cenário internacional apresente menor pressão, o Ibovespa poderá voltar a testar a máxima recente de 209,6 mil pontos. Nesse ambiente, o dólar também poderá retornar a patamares inferiores a 5 reais.

Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar