Flávio Bolsonaro votou contra a retirada de impostos da cesta básica, mas candidato não traz proposta para a retomada do imposto em seu plano de governo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) quer adiar a isenção de impostos sobre a cesta básica, prevista para entrar em vigor no início de 2027. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais do ministro na noite desta quarta-feira, 21.
Flávio Bolsonaro votou contra a retirada de impostos da cesta básica e da carne durante a regulamentação da reforma tributária, aprovada em 2024. O candidato, porém, não afirma em seu plano de governo que pretende retomar a tributação desses produtos ou adiar a isenção.
No vídeo, Durigan rebate uma proposta de Flávio Bolsonaro de devolver parte dos valores pagos pela população em despesas como contas de luz, prestações e taxas, por meio de transferências via Pix. A proposta ainda não foi detalhada pela equipe econômica do candidato.
Para contestar a iniciativa, o ministro do governo Lula lembrou que a reforma tributária aprovada em 2024 prevê um mecanismo de cashback, pelo qual pessoas de baixa renda poderão receber de volta parte dos impostos pagos sobre o consumo. Além disso, a reforma estabeleceu a isenção de impostos sobre a cesta básica e a carne. As duas medidas entram em vigor em 2027.
Durigan, no entanto, afirmou que essas conquistas poderiam ser alteradas caso Flávio Bolsonaro vença a eleição. O Flávio Bolsonaro é contra a reforma tributária e quer adiar a isenção da cesta básica, disse o ministro.
Flávio Bolsonaro votou contra a retirada de impostos da cesta básica e da carne. No entanto, o candidato não tem defendido, em seu plano de governo ou em declarações públicas, o adiamento desse ponto específico da reforma tributária. Ele tem apontado a necessidade de rever o mecanismo de split payment, um dos instrumentos previstos na reforma.
O split payment é um mecanismo de pagamento automático que separa e recolhe os tributos sobre o consumo o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) no momento da liquidação financeira da transação. Para a equipe econômica de Flávio, a regulamentação do sistema pode pressionar o caixa de algumas empresas e, por isso, precisa ser revista.
Em suma, Flávio Bolsonaro votou contra a retirada de impostos da cesta básica e da carne, mas não tem defendido publicamente o adiamento dessa medida específica da reforma tributária.
Fonte: veja.abril.com.br