Pesquisas feitas pela consultoria Marsh com empresas latinas mostra que as ações de gestão desse tipo de problema ainda são pouco organizadas
Embora as empresas entendam a saúde mental como um problema que pode atingir os seus funcionários e afetar a organização, poucas delas ainda têm medidas estruturadas e integradas para evitar, acompanhar e acolher a evolução dos casos. É o que apontam duas novas pesquisas feitas pela Marsh, empresa de seguros e gestão de riscos, com empresas em todo o mundo.
As deficiências ainda presentes em identificar e gerenciar os riscos ligados à saúde mental dos funcionários acontecem mesmo quando, no Brasil, o cuidado com elas já terem se tornado lei: mapear e combater os riscos de natureza “psicossociais relacionados ao trabalho” passou a ser também uma obrigação das empresas em maio, tendo sido incluído na norma de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais que deve ser seguida pelas companhias. Trata-se da gestão de situações como sobrecarga de trabalho, assédio ou episódios de violência, por exemplo.
No estudo People Risk 2026, que entrevistou os profissionais de recursos humanos e riscos de 4.517 empresas globalmente, a Marsh verificou que a piora da saúde mental aparece mencionado entre os principais riscos relacionados às pessoas apontados pelos entrevistados. Escassez de habilidades, ameaças cibernéticas e aumento dos custos com saúde e benefícios são outras questões que aparecem também aparecem no topo das preocupações.
Por outro lado, no estudo Redefinindo a Saúde Mental 2025, feito especificamente com empresas da América Latina, foi identificado que, apesar de haver avanços, ainda há lacunas na mensuração e nas respostas aos riscos ligados à saúde mental. Foram consultadas 746 empresas instaladas em países latinos.
Destas, 79% afirmaram contar com orçamento para iniciativas de bem-estar emocional ou saúde mental e 47% dizem que o tema faz parte de sua agenda estratégica. Por outro lado, 43% ainda contam que está é uma estratégia isolada, presente, por exemplo, apenas em departamentos específicos, e apenas 12% dizem que os líderes de sua organização estão envolvidos no planejamento e na execução dessas ações.
A pesquisa mostra, por exemplo, que 52% das empresas não contam com ações para gerir o burnout, enquanto, na outra penas, apenas 4% têm uma política completa para lidar com o esgotamento dos funcionários, o que combina ações de mensuração, comunicação, educação, gestão e encaminhamento de casos.
Embora 63% relatem estratégias de apoio para colaboradores com problemas de saúde mental, 62% dessas organizações não têm um protocolo claro para lidar com crises ou emergências relacionadas ao tema. Além disso, apenas 31% possuem políticas corporativas específicas sobre o assunto.
“Essa situação sugere uma postura reativa, onde os problemas de saúde mental são abordados apenas quando surgem casos específicos, ao invés de serem integrados como um componente essencial na gestão de talentos humanos”, diz o relatório.
Fonte: veja.abril.com.br