Na outra ponta, as pessoas físicas foram o grupo que mais vendeu ações na semana seguinte à votação realizada no domingo 4
Os investidores estrangeiros aplicaram 13,2 bilhões de reais na bolsa brasileira na semana seguinte ao primeiro turno da eleição presidencial, animados com os 47% de votos conquistados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra os 45% obtidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), que busca a reeleição. É verdade que, do total aportado pelos estrangeiros, 10 bilhões se concentraram na segunda-feira 5, o primeiro pregão após os brasileiros irem às urnas no domingo 4.
A grande injeção de recursos levou o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, a disparar 7,7% naquele dia, marcando a maior alta diária desde março de 2020. Com isso, o Ibovespa também renovou seu recorde, fechando a segunda em 206 911 pontos.
A marca, porém, durou pouco. Nos dias seguintes, os gringos continuaram aportando recursos no mercado acionário, com exceção da quarta-feira 7, quando retiraram 628 milhões de reais. Com isso, o Ibovespa encerrou a sexta-feira 9 alcançando uma nova marca histórica – 209 067pontos.
Os brasileiros, contudo, atuaram na outra ponta – venderam em massa os papéis após o primeiro turno. O movimento foi liderado pelas pessoas físicas, que realizaram vendas líquidas de 5,8 bilhões de reais. Em seguida, ficaram os investidores institucionais, como fundos de pensão, que sacaram 4,7 bilhões. Outros tipos de investidores, como as próprias empresas listadas na B3, registaram saldo negativo de 2,7 bilhões. Por último as instituições financeiras somaram vendas de 113 milhões de reais.
Segundo os analistas, a liderança de Flávio Bolsonaro tanto na votação do primeiro turno, quanto nas pesquisas de intenção de votos para o segundo turno, permite que o mercado sonhe com um governo alinhado à agenda liberal e comprometido com um vigoroso ajuste fiscal. De um lado, ao cortar despesas, um eventual governo Flávio Bolsonaro reduziria os estímulos fiscais ao consumo que pressionam atualmente a inflação. De outro, permitiria estabilizar e, talvez, reverter a trajetória de alta da dívida pública, que saltou de 72% para 83% do produto interno bruto no terceiro mandato de Lula. Com isso, os investidores passariam a exigir um prêmio de risco menor para financiar a dívida pública.
A menor pressão inflacionária e a queda do prêmio de risco sobre a dívida pública abririam espaço para que o Banco Central reduzisse a taxa básica de juro, a Selic, hoje em 13,75% ao ano. A queda dos juros estimularia os investimentos das empresas e o consumo, reduziria o endividamento das famílias e das companhias e ajudaria a deslanchar o crescimento econômico. Por fim, isso elevaria a atratividade de investimentos em renda variável, o que incentivaria novas altas das ações.
É claro que tais expectativas precisam ser confirmadas – a começar pela eventual vitória de Flávio no próximo domingo 24. Além disso, os analistas e os investidores aguardam detalhes sobre seu programa econômico e sobre quem comandará pastas importantes como o Ministério da Fazenda. Não se pode esquecer também do cenário internacional. Nesta quarta-feira 14, por exemplo, o Ibovespa opera em forte queda acompanhando as principais bolsas de valores do mundo. Trata-se de uma reação do mercado à inflação americana divulgada hoje e que ficou bem acima das projeções – o que eleva a pressão para que o Federal Reserve prossiga com o ciclo de alta da taxa básica de juro dos Estados Unidos.
Fonte: veja.abril.com.br