Documento prevê fortalecimento da confiança pública, transparência e integridade; julgamento foi interrompido por pedido de vista de Alexandre de Moraes
O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta terça-feira (29) a análise do plano estratégico que estabelece as diretrizes da Corte até 2031. O julgamento ocorre em meio à crise interna provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master, que expôs divergências entre ministros e abriu uma série de discussões sobre o funcionamento do tribunal.
Entre os objetivos estabelecidos pelo plano estão o fortalecimento da confiança pública no Supremo e uma prestação jurisdicional mais efetiva, acessível e transparente. O documento também inclui integridade, transparência e confiança pública entre os valores institucionais da Corte.
O tema será analisado em plenário virtual entre 0h e 23h59 desta terça.
A retomada ocorre duas semanas depois de uma sessão extraordinária do Supremo sobre o caso Master ser marcada por embates entre ministros, acusações públicas e divergências sobre a condução dos procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. O julgamento terminou sem uma definição após pedido de vista de Flávio Dino.
Nesta segunda-feira (28), a crise ganhou um novo capítulo. Gilmar Mendes fez um ajuste em seu voto na discussão sobre o caso Moraes e defendeu que o STF identifique todos os magistrados mencionados nas investigações do Master antes de retomar o julgamento.
O ministro também propôs que as apurações relacionadas a Moraes e Mendonça sejam reunidas e redistribuídas.
Julgamento do plano
A análise do Plano Estratégico de Longo Prazo do STF para o ciclo de 2026 a 2031 havia sido interrompida no mês passado por um pedido de vista de Alexandre de Moraes, que agora devolveu o processo para julgamento.
Antes da interrupção, sete ministros já haviam se manifestado pela aprovação do documento. O presidente do STF, Edson Fachin, relator da proposta, foi acompanhado por Cármen Lúcia, André Mendonça, Luiz Fux, Dias Toffoli e Nunes Marques. Gilmar Mendes também votou pela aprovação, mas apresentou ressalvas.
Em seu voto, Fachin afirmou que o planejamento busca assegurar continuidade administrativa e alinhamento entre as diferentes gestões do Supremo. Segundo o ministro, o plano responde a desafios como o aumento da judicialização, a transformação digital, a segurança institucional e a necessidade de fortalecer a transparência.
O documento começou a ser elaborado em maio de 2024 e foi concluído em dezembro de 2025, antes da atual crise. O plano define a missão, a visão de futuro, os valores e os principais temas estratégicos que deverão orientar a atuação do tribunal nos próximos anos.
Mudanças internas
Ao acompanhar a aprovação do plano, Gilmar aproveitou o voto para defender mudanças no funcionamento do Supremo. Entre elas, sugeriu uma revisão das regras de distribuição de processos para ampliar as hipóteses de prevenção, mecanismo que permite concentrar em um mesmo relator casos relacionados.
Segundo o ministro, as regras atuais não são suficientes para evitar que processos sobre uma mesma controvérsia sejam distribuídos a gabinetes diferentes. Gilmar afirmou que uma reforma do Regimento Interno sobre o tema poderia ser muito bem-vinda.
O decano também cobrou o cumprimento dos prazos internos e chamou atenção para a demora na publicação de acórdãos de julgamentos já concluídos.
A expectativa para a retomada é pela manifestação de Moraes, que havia interrompido o julgamento para analisar o plano com mais tempo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br