PL elege as maiores bancadas da Câmara e do Senado e tem pretensões de comandar pelo menos uma das Casas
Jair Bolsonaro foi filado a quase uma dezena de partidos. Em sua trajetória política, de vereador no Rio a presidente da República, ele nunca teve identificação com uma legenda específica. Também não se envolveu na rotina das máquinas partidárias. A lei eleitoral exige que o candidato concorra por uma sigla — e o capitão, para cumprir a regra, vestia a camisa de quem estava disposto a lhe dar guarida.
Em 2018, ele conquistou o mandato presidencial pelo nanico PSL, o que lhe permitiu discursar durante a campanha contra a velha política e os partidos tradicionais. No exercício do governo, no entanto, rendeu-se ao que tanto criticava e abraçou o Centrão, a quem entregou a execução do Orçamento e a tarefa de negociar com o Congresso.
Foi nesse período que Jair Bolsonaro sentiu a necessidade de encontrar um partido para chamar de seu. E encontrou: o PL de Valdemar Costa Neto, condenado e preso no escândalo do mensalão. Os dois passaram a dar as cartas e definir as estratégias da legenda. Deu certo. Em 2022, o PL elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados, o que garantiu à agremiação as maiores fatias dos fundos partidário e eleitoral, por exemplo.
Até a semana passada, o PL também tinha a maior bancada no Senado, com 15 integrantes. A apuração das urnas neste domingo, 4, renovou os votos do casamento entre Bolsonaro e Costa Neto, cujos comandados conquistaram, mais uma vez, as maiores bancadas nas duas Casas. A partir do próximo ano, o PL terá, por exemplo, 28 senadores.
Fortalecido, o partido tem uma meta clara: controlar o Senado, a quem cabe abrir e votos processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. O alvo principal é Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado, a vinte e sete anos e três meses de prisão.
O PL já tem até um nome cotado para chefiar o Senado: Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Fonte: veja.abril.com.br