O ator revelou inseguranças no set, conflitos com o diretor Mike Nichols e até uma lesão durante as gravações do filme de 1967
Dustin Hoffman, que ganhou fama ao interpretar Ben Braddock no clássico de Mike Nichols, A Primeira Noite de um Homem, falou sobre sua experiência nas filmagens da comédia dramática de 1967 em um ensaio recente para a The New Yorker, resumindo como foi terrível fazer o filme que mudou minha vida.
Lançado em 22 de dezembro do mesmo ano, o longa acompanha um recém-formado na faculdade (Hoffman), desiludido com a vida, que se vê dividido entre sua amante mais velha (Anne Bancroft) e a filha dela, Elaine (Katharine Ross). A produção recebeu sete indicações ao Oscar e venceu na categoria de melhor direção.
Hoffman contou que se sentia desconfortável e inseguro durante as filmagens, sem acreditar que estava à altura de protagonizar um longa dirigido por Nichols, um dos cineastas mais prestigiados da época. Sentia que não tinha o direito de estar ali, afirmou o ator.
Parte da ansiedade de Hoffman vinha do receio de que Nichols estivesse irritado com ele, seja por algum erro durante as gravações ou por ter percebido que havia escolhido o ator errado para protagonizar o filme. Segundo ele, a produção exacerbou todas as suas inseguranças desde o início das filmagens.
A princípio, Hoffman nem sequer pensava em fazer o teste para o papel. Ele conta que, ao saber do interesse de Nichols, não se considerava adequado para interpretar Benjamin, personagem que, no romance de Charles Webb, era um astro do atletismo, aluno nota dez e presidente da equipe de debates. Era um jovem rico, tipicamente americano, cujo sobrenome era Braddock. Por que escalariam alguém com uma aparência tão étnica quanto a minha para interpretar o maior representante da elite branca anglo-saxônica protestante? Não fazia o menor sentido, relatou. Convencido pelo agente, o ator acabou fazendo o teste e conquistou o papel.
As inseguranças, porém, não eram o único problema nos bastidores. Hoffman descreveu Nichols como frequentemente mal-humorado durante as filmagens, em uma mudança chocante e desestabilizadora em relação à postura que o diretor demonstrava nos ensaios. Embora fosse irritadiço com todos, o cineasta parecia reservar um tratamento particularmente difícil ao protagonista. Hoffman diz que havia um certo sadismo na maneira como Nichols lidava com ele.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu durante a gravação de uma cena em que Katharine Ross precisava dar um tapa no ator. Segundo Hoffman, Nichols exigiu 27 tomadas e insistiu para que a atriz batesse cada vez mais forte. Ross temia machucá-lo, mas Hoffman pediu que apenas evitasse acertar sua orelha. Infelizmente, ela errou algumas vezes. No fim daquele dia, eu estava tonto, e Mike nem sequer usou o tapa no filme, contou.
No dia seguinte, o ator precisou gravar uma cena embaixo dágua, que exigia sua permanência no fundo de uma piscina usando um traje de mergulho. Ao voltar à superfície depois de algumas tomadas, percebeu que havia sangue escorrendo de sua orelha. Entre todos os tapas do dia anterior e a pressão da água no fundo da piscina, perfurei um tímpano, revelou.
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Fonte: veja.abril.com.br