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Do K-pop às urnas: fandoms entram na campanha de Lula

Fanbases de K-pop e de artistas como Taylor Swift, colocaram suas redes à disposição de Lula no segundo turno, sem envolvimento ou manifestação dos artistas

Eles estão acostumados a organizar mutirões para colocar músicas no topo das plataformas, votar em premiações, levantar hashtags em poucos minutos e transformar lançamentos em acontecimentos globais. Agora, parte dos fandoms brasileiros está usando essa mesma engrenagem em outro território: a eleição presidencial.

Depois do primeiro turno, páginas dedicadas a estrelas da música pop e do K-pop passaram a declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ofereceram seus canais para a divulgação de informações e conteúdos da campanha. Entre elas estão fanbases ligadas ao BTS e ao BLACKPINK

No X, antigo Twitter, apareceram hashtags como #ARMYSCOMLULA, em referência ao ARMY, como são conhecidos os fãs do BTS, e #BLINKSCOMLULA, ligada aos seguidores do BLACKPINK. Perfis dedicados a artistas como Beyoncé, Taylor Swift, Lady Gaga, Dua Lipa e Billie Eilish também aderiram à mobilização.

Uma das páginas ligadas ao universo do BTS colocou seus canais à disposição da campanha. Segundo levantamento publicado nesta terça-feira, dia 6, uma das mensagens do perfil já havia ultrapassado 145 mil visualizações.

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A entrada dos fandoms na discussão política não surgiu agora. Em agosto, representantes de comunidades de fãs de BTS, BLACKPINK, Beyoncé, Lady Gaga, Stray Kids, Taylor Swift e outros artistas estiveram no Palácio do Planalto em uma cerimônia com Lula. Na ocasião, o presidente assinou medidas relacionadas à proteção dos consumidores em grandes eventos, incluindo ações de combate ao cambismo digital e garantia de acesso à água.

Entre os presentes estava a advogada e doutora Mariana Faciroli, codiretora do ARMY Help The Planet, coletivo surgido dentro do fandom brasileiro do BTS. Criada em 2019, a organização começou com uma arrecadação para ações relacionadas às queimadas na Amazônia e ampliou sua atuação para projetos socioambientais e de cidadania. Atualmente, reúne dezenas de voluntárias e já desenvolveu iniciativas com instituições como Greenpeace, Unicef e Fiocruz.

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Neste ano eleitoral, o próprio ARMY Help The Planet lançou uma campanha para incentivar jovens a votar, em parceria com o Instituto Plena Cidadania e o projeto Votinho: mas sem indicar candidatos, claro. A iniciativa, diferentemente das manifestações recentes de algumas fanbases em favor de Lula, é apartidária e usa referências ao BTS para falar sobre participação política e cidadania.

A capacidade de organização ajuda a explicar por que essas comunidades despertam interesse também fora do universo do entretenimento. Fandoms de K-pop desenvolveram uma estrutura digital capaz de reunir rapidamente milhares de pessoas em torno de um objetivo comum. O mecanismo utilizado para impulsionar uma música ou vencer uma votação online pode também ser empregado para difundir uma campanha, estimular o comparecimento às urnas ou colocar um assunto entre os mais comentados das redes.

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A movimentação ocorre durante o segundo turno da eleição presidencial. Os dados sobre os candidatos, os percentuais de votação, o número de votos e a data da nova votação devem ser confirmados nos resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Há, porém, uma distinção muito importante: a manifestação das fanbases não significa que os artistas representados por elas tenham declarado apoio a Lula: nem permite concluir que todos os integrantes desses fandoms compartilhem a mesma posição política. As páginas são administradas por fãs e têm autonomia em relação aos artistas e às empresas que os representam.

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Ainda assim, o movimento revela um fenômeno que ultrapassa a paixão pela música. Em um país onde o K-pop conquistou uma comunidade numerosa, altamente conectada e treinada para mobilizações digitais, os fandoms começam a mostrar que sua influência pode sair das arenas de shows e chegar também às urnas.

Se isso é bom ou ruim, é outra história.

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Fonte: veja.abril.com.br

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