Donald Trump prometeu cortes de gastos, mas montante foi cerca de 12% superior ao rombo registrado no ano fiscal anterior e só fica atrás de 2020 e 2021
Os Estados Unidos encerraram o ano fiscal de 2026, no último 30 de setembro, com um déficit nas contas públicas de US$ 1,99 trilhões (R$ 10,1 trilhões, na cotação atual), informou o Departamento do Tesouro nesta sexta-feira, 16. O resultado foi impulsionado pelo aumento das despesas com a dívida pública, reembolsos de tarifas de importação e gastos recordes do governo Donald Trump, apesar da promessa de enxugar a máquina pública.
O montante deste ano fiscal foi cerca de 12% superior ao déficit de 2025 (US$ 1,775 trilhão), e o terceiro maior rombo anual na história dos Estados Unidos. Está atrás apenas de 2020 e 2021, períodos em que o governo federal injetou trilhões de dólares em estímulos financeiros na economia em meio à pandemia de covid-19.
Os dados confirmaram ainda que os Estados Unidos vivem seu 25º ano fiscal consecutivo operando em déficit. A última vez que o governo obteve um superávit ou seja, quando as receitas superaram as despesas foi em 2001.
A origem da dívida
A previdência (Social Security) representou a maior fatia dos gastos governamentais, totalizando quase US$ 1,7 trilhão ao longo do ano fiscal um aumento modesto em relação aos cerca de US$ 1,6 trilhão gastos em 2025.
O Medicare foi o segundo maior item de despesa, custando quase US$ 1,1 trilhão no ano fiscal. Para fins de comparação, o programa de saúde gerido pelo governo demandou pouco menos de US$ 1 trilhão no ano fiscal de 2025.
Os juros líquidos calculados subtraindo-se os juros recebidos pelo Tesouro do total de juros pagos também ultrapassaram US$ 1 trilhão no ano fiscal. No ano fiscal de 2025, os juros líquidos somaram US$ 970 bilhões.
Os impostos sobre a renda de pessoas físicas ajudaram a reduzir o déficit total ao arrecadar mais de US$ 2,8 trilhões, um aumento de cerca de 7% em relação ao ano anterior. Já a alíquota sobre a renda de pessoas jurídicas gerou US$ 381 bilhões em receitas, ou US$ 70 bilhões a menos do que no ano fiscal de 2025, devido aos cortes de taxas para empresas incluídos na chamada Big Beautiful Bill, aprovada pelo Congresso no ano passado.
Outro fator foram as tarifas. Embora o Departamento do Tesouro tenha falado em “um recorde na arrecadação bruta de tarifas alfandegárias”, o montante foi impactado pela necessidade de realizar reembolsos decorrentes de uma decisão da Suprema Corte que considerou o tarifaço de Trump ilegal , o que resultou na devolução de bilhões de dólares a varejistas.
Além disso, os Estados Unidos desembolsaram mais de US$ 1,3 trilhão para pagar os juros da dívida pública nacional. O montante total da dívida ultrapassou US$ 40 trilhões no início deste ano, tendo mais do que dobrado na última década. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que “o crescimento global é o caminho” para lidar com o rombo.
Fonte: veja.abril.com.br