Cabulosas perdiam por 3 a 0, buscaram empate por 4 a 4 diante do Corinthians e venceram por 5 a 4 nos pênaltis, em Quito
Quito, Equador – O Cruzeiro é campeão da Libertadores Feminina pela primeira vez em sua história. Em uma final marcada por oito gols, reviravoltas e uma reação improvável, as Cabulosas superaram o Corinthians por 5 a 4 nos pênaltis, após empate por 4 a 4 no tempo normal, neste sábado (31), no estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador. A equipe mineira chegou a estar perdendo por 3 a 0, reagiu no segundo tempo e garantiu o título logo em sua primeira participação na competição.
Enquanto o Corinthians dominou amplamente a primeira etapa, o Cruzeiro encontrou forças para reagir após o intervalo, mesmo depois de sofrer o quarto gol. O empate veio apenas aos 45 minutos do segundo tempo, com Letícia Ferreira, levando a definição para as penalidades. O resultado interrompeu a sequência de três títulos consecutivos do Corinthians, que buscava o heptacampeonato da Libertadores Feminina.
Corinthians domina primeiro tempo e abre vantagem
O Corinthians começou a partida impondo o ritmo que havia caracterizado sua campanha na competição. Com maior posse de bola, pressão sobre a saída adversária e presença ofensiva, a equipe comandada por Emily Lima precisou de apenas três minutos para abrir o placar. Gabi Zanotti apareceu na área e marcou de cabeça, colocando as Brabas em vantagem logo no início.
O gol aumentou a dificuldade do Cruzeiro, que encontrava problemas para sair jogando e pouco conseguia acionar suas principais referências ofensivas. A equipe mineira só levou perigo aos 31 minutos, em uma finalização de longa distância de Lorena Bedoya.
O Corinthians, por outro lado, manteve o controle territorial e aproveitou um erro na saída de bola das Cabulosas para ampliar. Aos 41 minutos, Gabi Zanotti marcou novamente e fez 2 a 0, consolidando a superioridade corintiana na primeira etapa.
Além da vantagem no placar, o Corinthians demonstrava maior organização coletiva, conseguia recuperar a posse rapidamente e dificultava as tentativas de construção do Cruzeiro. A equipe de Jonas Urias foi para o intervalo sem encontrar soluções para superar o domínio adversário.

Reação histórica transforma decisão em jogo de oito gols
O cenário ficou ainda mais complicado para o Cruzeiro logo no início do segundo tempo. Aos três minutos, Vic Albuquerque marcou o terceiro gol do Corinthians e deixou as Brabas próximas de mais uma conquista continental.
A reação mineira, no entanto, começou praticamente de imediato. Aos seis minutos, Byanca Brasil diminuiu a diferença e passou a incentivar as companheiras. Cinco minutos depois, Vitória Calhau converteu um pênalti e fez 3 a 2, recolocando o Cruzeiro na disputa.
O Corinthians respondeu aos 22 minutos, novamente com Vic Albuquerque, que marcou seu segundo gol na partida e ampliou para 4 a 2. A vantagem de dois gols, porém, não foi suficiente para encerrar a reação das Cabulosas, já que aos 29 minutos Ketlin marcou o terceiro gol cruzeirense e aumentou a pressão sobre a defesa corintiana. Nos minutos finais, a equipe mineira passou a ocupar mais o campo ofensivo, enquanto o Corinthians tentava administrar a vantagem e encontrar espaços para contra-atacar.
Letícia Ferreira, que havia enfrentado uma lesão no joelho e retornado aos gramados, tornou-se uma das principais personagens da reta final. Depois de duas tentativas, a atacante aproveitou cruzamento de Vanessinha e marcou de cabeça, aos 45 minutos, empatando a partida em 4 a 4.
O gol coroou uma reação histórica e levou a decisão para os pênaltis. Para o Cruzeiro, que havia chegado à final após superar uma série de dificuldades ao longo da temporada, o empate representou também a capacidade de manter a competitividade mesmo diante de um cenário que parecia irreversível.

Camila decide nos pênaltis e Cruzeiro conquista a América
Camila, que havia enfrentado críticas ao longo da temporada e assumido a titularidade em meio aos problemas físicos do elenco, terminou a decisão como uma das protagonistas do título. Após defender a última cobrança, a goleira caiu de joelhos e chorou, repetindo que não acreditava no que havia acabado de acontecer.
Confira todas as cobranças, na ordem:
- 1ª série: Byanca Brasil (Cruzeiro)
| Vic Albuquerque (Corinthians) 
- 2ª série: Letícia Ferreira (Cruzeiro)
| Duda Sampaio (Corinthians) 
- 3ª série: Pri Back (Cruzeiro)
| Jaqueline (Corinthians) 
- 4ª série: Michelle Romero (Cruzeiro)
| Belén Aquino (Corinthians) 
- 5ª série: Vitória Calhau (Cruzeiro)
| Thaís Ferreira (Corinthians) 
- 6ª série: Lorena Bedoya (Cruzeiro)
| Gisela Robledo (Corinthians) 
- 7ª série: Milena Ferreira (Cruzeiro)
| Gi Fernandes (Corinthians) 

Resultado nos pênaltis: Cruzeiro 5 x 4 Corinthians.
Cruzeiro garante vagas em três competições internacionais
Além do título inédito, o Cruzeiro assegurou participação em outras três competições internacionais. As Cabulosas estão classificadas para a Libertadores Feminina de 2027, para a Copa dos Campeões Feminina e para a primeira edição da Copa do Mundo de Clubes Feminina, prevista para 2028.
Na Copa dos Campeões, a equipe mineira entrará diretamente nas semifinais e enfrentará o Barcelona, no dia 27 de janeiro de 2027, em Miami, nos Estados Unidos.

Fonte: veja.abril.com.br