Agente do DeepSeek acaba de ser disponibilizado para desenvolvedores e entra numa disputa em que concorrentes dos EUA também oferecem IAs com iniciativa
Agentes de IA, você já deve ter aprendido, recebem tarefas e se encarregam de entregar tudo prontinho. Mas e se a próxima geração de máquinas autônomas nem precisasse disso? Digo, e se a inteligência artificial tomasse a iniciativa de sugerir soluções apenas a partir de conversas entre os funcionários?
Essa característica proativa tornou um novo agente de IA um dos assuntos do fim de semana. Trata-se do Super-agent, desenvolvido pela equipe do DeepSeek Harness, a plataforma que conecta a inteligência artificial chinesa às ferramentas necessárias para executar tarefas.
No exemplo apresentado pela empresa, alguém comenta um problema de programação no grupo de trabalho e a IA começa a investigar. Ela procura reproduzir o erro, identifica o que pode estar causando a falha e prepara uma correção. Quando chega à conversa, já tem algo para mostrar, mesmo sem ninguém ter chamado seu nome.
A DeepSeek conta que usa uma versão desse sistema internamente. A equipe estabeleceu uma orientação para que ele investigue em silêncio e apresente o resultado quando conseguir confirmar o problema e encontrar uma solução simples. A proposta de alteração aparece no GitHub, plataforma usada pelos desenvolvedores para trabalhar com código.
Por trás desse funcionamento, há uma divisão de tarefas. Uma parte do sistema acompanha as conversas e organiza o trabalho, enquanto outras cuidam de atividades diferentes ao mesmo tempo. Para quem está no grupo, a interação continua com um único agente, que reúne os resultados sem exigir que alguém fique pulando entre várias janelas de chat.
Já dá para usar o Super-agente da DeepSeek?
O código do protótipo foi disponibilizado publicamente no GitHub, com licença que permite seu uso e adaptação. Desenvolvedores já podem instalá-lo e configurá-lo para trabalhar com um projeto de código e, opcionalmente, com o Feishu, aplicativo de comunicação corporativa.
A versão publicada é de pesquisa e tem parte dos recursos descritos pela equipe. Ainda não foi anunciada uma data para o lançamento do Super-agent como produto final para o público geral.
Na configuração inicial, ele observa as mensagens e registra quais tarefas assumiria. A equipe pode ativar a execução automática e definir as situações em que a IA está autorizada a tomar a iniciativa.
Investida chinesa em território já desbravado por estadunidenses
A DeepSeek entra numa disputa que já tem exemplos nos Estados Unidos. Desde maio, o Devin, da Cognition, oferece um recurso que acompanha canais de trabalho, investiga relatos de problemas e pode preparar correções sem receber um pedido a cada ocorrência. A Modal, cliente da empresa, relata que o agente monitora seu canal e volta com investigações prontas sem precisar ser acionado.
Em junho, a Anthropic apresentou o Claude Tag, que participa de conversas no Slack e pode acessar o código dos projetos. Com o modo de iniciativa ativado, ele traz informações relevantes e retoma assuntos ou tarefas que ficaram sem solução.
Seja na Ásia ou na América, parece animadora (para mim, pelo menos, mas com certeza não sou o único) a ideia de uma máquina que atua como o funcionário dos sonhos. Aquele que traz soluções para os problema antes mesmo que você precise se preocupar em pedir qualquer coisa. E, se acontece com a galera de TI, é possível que aos poucos isso se espalhe para diferentes áreas.
Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda
Fonte: veja.abril.com.br