O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025. Reuters A economia da Argentina virou tema do debate primeiro presidencial para o segundo turno das eleições brasileiras. Ao questionar candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua proximidade com Javier Milei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perguntou se o adversário pretendia reproduzir no Brasil a política eco

O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025. Reuters A economia da Argentina virou tema do debate primeiro presidencial para o segundo turno das eleições brasileiras. Ao questionar candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua proximidade com Javier Milei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perguntou se o adversário pretendia reproduzir no Brasil a política econômica adotada pelo argentino. Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A discussão ocorreu depois de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apontar o governo de Milei como inspiração para medidas de redução de impostos e burocracia. Os indicadores, porém, revelam um quadro mais complexo: a economia argentina voltou a crescer e a inflação desacelerou, mas a pobreza e o desemprego aumentaram, enquanto o consumo interno e setores importantes para a geração de empregos enfrentam dificuldades. Economia cresce, mas perde fôlego O Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre, a alta foi de 2% na mesma base de comparação, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Os resultados positivos, porém, escondem uma perda de ritmo. Entre abril e junho, o PIB caiu 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais. O consumo privado recuou 2,4%, o consumo público diminuiu 2,3% e os investimentos caíram 0,8%. Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo indicador dos investimentos realizados na economia teve queda de 11,1%. A composição do crescimento também ajuda a entender esse cenário. No primeiro trimestre, agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira estiveram entre os principais motores da expansão, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista caiu 0,3%. No segundo trimestre, atividades ligadas às exportações voltaram a se destacar: a pesca cresceu 44,7%, a mineração e a extração em pedreiras avançaram 16,4%, e a agropecuária teve alta de 6,9%. As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7%, enquanto as importações diminuíram 8,6%. Em sentido contrário, a indústria manufatureira recuou 2,1%. Os números apontam para uma recuperação desigual. Enquanto atividades ligadas às exportações avançam, segmentos mais dependentes do mercado interno enfrentam dificuldades. Essa diferença importa porque os setores em expansão, como a mineração, nem sempre são os que mais geram empregos. *Reportagem em atualização
Fonte: g1.globo.com