Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Com 'João Bosco All Star Quintet', o cantor festeja 80 anos em show que teve Tiago Iorc e Hamilton de Holanda

João Bosco (à direita) canta 'Perfeição' com o convidado Tiago Iorc na estreia carioca do show em que o artista mineiro festeja 80 anos de vida Mauro Ferreira / g1 CRÍTICA DE SHOW Título: 80 anos Artista: João Bosco Data e local: 2 de outubro de 2026 no Qualistage (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: 1/2 Ficou evidente ao longo das mais de duas horas do show 80 anos que João Bosco celebrava no palco da casa carioca Qualistage não somente o próprio aniversár


João Bosco (à direita) canta 'Perfeição' com o convidado Tiago Iorc na estreia carioca do show em que o artista mineiro festeja 80 anos de vida Mauro Ferreira / g1 CRÍTICA DE SHOW Título: 80 anos Artista: João Bosco Data e local: 2 de outubro de 2026 no Qualistage (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: 1/2 Ficou evidente ao longo das mais de duas horas do show 80 anos que João Bosco celebrava no palco da casa carioca Qualistage não somente o próprio aniversário, mas também os 80 anos que Aldir Blanc (2 de setembro de 1946 4 de maio de 2020) parceiro fundamental do compositor mineiro nos anos 1970 e 1980 também estaria festejando em 2026. A duplicidade da comemoração do show derivado do recém-lançado álbum revisionista Amigos novos e antigos (2026) e estreado no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, sexta-feira, 2 de outubro foi explicitada tanto nas imagens expostas no telão, com Aldir sendo recorrente nas projeções, como no roteiro, dominado por sambas apresentados pela dupla de compositores entre 1974 e 1982, em gravações feitas pelo próprio Bosco e/ou por cantoras como Elis Regina (1945 1982), Clementina de Jesus (1901 1987) e Simone. O som não estava à altura de um gênio como João Bosco, mas jamais prejudicou a fluência de apresentação que teve com convidados o cantor Tiago Iorc intérprete de Perfeição (João Bosco e Francisco Bosco, 2009), canção de aura bossa-novista gravada por Iorc com Bosco no álbum Amigos novos e antigos e o bandolinista Hamilton de Holanda. Virtuose do bandolim, Hamilton se afinou de imediato com a atmosfera jazzística de alguns arranjos e com a banda de sonhos. O João Bosco All Star Quintet, assim graciosamente rotulado pelo cantor em cena, era formado por Armando Marçal (percussão), Guto Wirtti (baixo), Kiko Freitas (bateria) e Ricardo Silveira (guitarra), além do próprio Bosco no inconfundível violão. O quinteto virou sexteto com Hamilton de Holanda solando melodias e/ou acrescentando nuances nos sambas Nação (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, 1982), Incompatibilidade de gênios número em que cada músico improvisou, em sintonia com o espírito jazzístico daquele momento e no medley em que o cantor encadeou Quilombo (João Bosco e Aldir Blanc, 1973), Tiro de misericórdia (João Bosco e Aldir Blanc, 1977) e Escadas da Penha (João Bosco e Aldir Blanc, 1975), fazendo a crônica social da violência urbana. Uma das marcas registradas dos arranjos criados pelo trombonista Rafael Rocha para o álbum Amigos novos e antigos, os sopros estiveram ausentes no show, por incompatibilidade de agendas dos músicos arregimentados para o disco, o que criou outra pulsação para algumas músicas no confronto com as gravações do álbum caso sobretudo do samba Siri recheado e o cacete (João Bosco e Aldir Blanc, 1980). Contudo, Bosco sempre soube se virar muito bem. E brilhou em cena, com a tarimba de ser cantor a quem basta somente um violão para fazer a magia acontecer. Por isso, o show resultou agradável. Com o João Bosco All Star Quintet, o artista caiu muito bem no suingue do samba Boca de sapo (João Bosco e Aldir Blanc, 1979), evocando a aura de Clementina, com quem gravou a composição. Ainda que sem a arquitetura mais sofisticada do show Boca cheia de frutas (2025), o roteiro do show 80 anos cumpriu bem a intenção de compilar o suprassumo do cancioneiro autoral do compositor, um dos gigantes da MPB. Aberto com o samba Plataforma (João Bosco e Aldir Blanc, 1977), ao qual se seguiram os também infalíveis Mestre-sala dos mares (João Bosco e Aldir Blanc, 1974) e De frente pro crime (João Bosco e Aldir Blanc, 1974), este com citação da melodia de Agora eu sou diretoria (João Bosco e Aldir Blanc, 2021), o roteiro do show 80 anos surtiu maior efeito para a plateia em geral, fria na segunda metade da apresentação. Foi quando Bosco disparou petardos como a canção das Árabias Jade (João Bosco, 1989), o refinado bolero Quando o amor acontece (João Bosco e Abel Silva, 1987), o samba O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc, 1979) número que gerou manifestações políticas na plateia e, claro, a balada Papel machê (João Bosco e José Carlos Capinan, 1984). Nessas duas últimas músicas, o coro da plateia se fez ouvir mais forte do que o canto de Bosco em momento de comunhão entre artista e público. Contudo, João Bosco nunca faz show ao estilo de karaokê. O som do artista é também para ser contemplado porque, no palco, a música do artista está sempre em movimento, ainda que por vezes sutil. Mesmo que o roteiro faça as necessárias concessões de um apresentação de caráter festivo que pede hits, 80 anos é o show de um artista que nunca foi pelo caminho mais fácil para agradar e que, por isso mesmo, chega íntegro às oito décadas de vida, ainda e sempre em movimento.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhar