Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, aponta que o clima negativo do pleito, com conflitos no STF e no TSE, tende a elevar o número de eleitores que não vão às urnas
O analista Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, avaliou em entrevista ao WW que a tendência para as eleições presidenciais de 2026 é de um aumento nas abstenções.
Segundo ele, o clima político negativo, marcado por conflitos no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), além de embates entre candidatos, favorece um cenário de menor comparecimento às urnas.
Para Soller, uma eleição marcada por um clima tão negativo tende, em tese, a elevar o índice de abstenções. “Uma eleição tão negativa como essa, em tese, a gente imagina que pode haver um pouquinho mais de abstenção justamente pelo clima. O clima é ruim”, afirmou o analista.
No entanto, Soller fez um contraponto ao citar as eleições americanas de 2024, que também foram marcadas por um clima absolutamente negativo, mas registraram um dos maiores índices de comparecimento. Segundo ele, o fator do medo em relação ao resultado motivou o voto naquele pleito.
Diante disso, o especialista disse que, partindo de uma premissa geral para o cenário brasileiro, a expectativa é de “um pequeno aumento da abstenção e uma diminuição dos votos válidos em relação à eleição anterior”.
O comportamento histórico da abstenção
Soller destacou a importância de se analisar como a abstenção tem se comportado ao longo das eleições brasileiras. Ele lembrou que, nas eleições passadas, houve um aumento nas abstenções, mas que, no cômputo final, os votos válidos foram maiores do que em pleitos anteriores.
“O sujeito está indo para a urna, não mais para votar nulo e branco”, explicou o analista, ressaltando que essa é uma variável que também precisa ser considerada nas análises.
O especialista citou dados históricos para contextualizar o fenômeno. Nas eleições passadas, a soma de abstenções, votos nulos e brancos chegou a 25%, enquanto em outros pleitos anteriores esse índice oscilou entre 27% e 29%.
Soller recordou ainda o caso de 1998, quando o índice de abstenção chegou a quase 40%, e apenas 60% dos brasileiros foram às urnas eleição em que Fernando Henrique Cardoso venceu com apenas 33% dos votos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br