Descoberta preliminar pode abrir caminho para novos avanços em transplantes
Pela primeira vez, cientistas reviveram rins de porcos após mantê-los congelados por até um ano – os órgãos mantiveram sua função e fluxo sanguíneo. O feito foi registrado na semana passada por pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, no site bioRxiv, como pré-print. Se confirmada após a revisão de independentes, a pesquisa inédita abre caminho para que, eventualmente, órgãos humanos também possam ser armazenados para transplantes futuros – a possibilidade revolucionaria a ciência, já que, hoje, órgãos vitais como coração e pulmão têm prazo máximo de validade entre quatro e seis horas.
“Com um verdadeiro sistema de armazenamento de órgãos em vez de os pacientes esperarem pelo órgão, são os órgãos que esperam pelos pacientes”, disse ao MIT Technology Review o cirurgião Erik Finger, que codirigiu o trabalho.
Mas o caminho até lá ainda será longo, já que os desafios para órgãos humanos são mais extensos, conforme destacam os pesquisadores no artigo: A ampliação da vitrificação de órgãos para dimensões humanas transfere o desafio do simples reaquecimento para os problemas integrados de resfriamento, estabilidade do agente crioprotetor, transporte do agente e toxicidade biológica.
Durante a condução do estudo, os rins de porco foram congelados a temperaturas de -150º C. Quando reaquecidos e transplantados nos animais, num monitoramento de duas horas, foi observado que os órgãos ficam rosados imediatamente e produziram urina em cerca de um minuto – cerca de dois terços da quantidade de urina esperada normalmente. Antes do experimento com porcos, a equipe havia conseguido realizar os transplantes em ratos, estudo registrado em 2023. Nos últimos três anos, precisaram redescobrir e modificar a fórmula para, enfim, poder replicar a técnica em outra espécie.
Fonte: veja.abril.com.br