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Cem anos sem Houdini: Ilusionista fracassou no cinema e virou estrela após a morte

Morto no Halloween de 1926, o mágico tentou ser astro de Hollywood, foi vivido por Tony Curtis e Adrien Brody e agora ganha uma versão criada por IA

Harry Houdini passou a vida escapando do impossível: algemas, camisas de força, baús lacrados e tanques de água em que era pendurado de cabeça para baixo. Não escapou, porém, de uma apendicite. O maior ilusionista do século XX morreu há exatos cem anos, no Halloween de 1926, em um hospital de Detroit, aos 52 anos, vítima de peritonite. Dias antes, em seu camarim em Montreal, um estudante perguntou se era verdade que ele aguentava qualquer soco no estômago e, antes que Houdini se preparasse, desferiu os golpes. Com febre alta e dores, ele ainda fez um último espetáculo em Detroit, de duas horas e meia, e desmaiou quando a cortina baixou. A medicina hoje considera raríssimo que uma pancada provoque apendicite, mas a versão dos socos fatais entrou para a lenda.

Nascido Erik Weisz em Budapeste, em 1874, filho de um rabino, Houdini chegou aos Estados Unidos aos quatro anos e construiu a carreira à base de autopromoção, com fugas espetaculares em frente às redações de jornais. Nos últimos anos de vida, dedicou-se a uma cruzada contra médiuns e espíritas, que acusava de explorar o luto alheio. Ainda assim, combinou com a mulher, Bess, que quem morresse primeiro tentaria se comunicar com o outro. Ela promoveu uma sessão espírita a cada Halloween durante dez anos. Na última, em 1936, apagou a vela ao lado do retrato do marido e encerrou a espera.

Houdini também tentou conquistar o cinema. Estrelou a série The Master Mystery (1918) e, pela Paramount, os longas The Grim Game (1919) e Terror Island (1920). Em The Grim Game, a produção registrou por acaso uma colisão real entre dois aviões, e o roteiro foi reescrito para aproveitar a cena. Insatisfeito com o controle dos estúdios, fundou a própria produtora, pela qual escreveu, produziu e estrelou The Man from Beyond (1922), sobre um homem que volta à vida depois de passar cem anos congelado no gelo do Ártico, e Haldane of the Secret Service (1923). A bilheteria decepcionou, e ele voltou aos palcos.

Homem sem camisa, com correntes e algemas, cercado por policiais de uniforme escuro e chapéus, em uma sala com quadro na parede
Adrien Brody como ‘Houdini’Colin Hutton/Divulgação
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Foi depois de morto que Houdini virou, de fato, estrela de cinema. Em 1953, Tony Curtis o interpretou ao lado da mulher na vida real, Janet Leigh, no papel de Bess. Guy Pearce viveu o ilusionista em Death Defying Acts (2007), e Adrien Brody, na minissérie Houdini (2014), do canal History. A série Houdini & Doyle (2016) imaginou o ilusionista investigando casos sobrenaturais ao lado de Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, de quem foi amigo até romperem por causa do espiritismo, que o escritor defendia com fervor. Já a cinebiografia mais ambiciosa, baseada no livro The Secret Life of Houdini, circula por Hollywood há anos, com nomes como Johnny Depp e Ben Affleck ligados ao projeto, e nunca saiu do papel.

O centenário trouxe uma nova onda de homenagens. A mais curiosa vem da Fox Nation: na série Houdini: Back from the Dead, ele é recriado por inteligência artificial para dar uma entrevista e contar a própria história. Cem anos depois, o homem que dedicou a vida a desmascarar quem dizia falar com os mortos volta a se comunicar com o público, não por uma sessão espírita, mas pela tecnologia.

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Fonte: veja.abril.com.br

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