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Os deputados eleitos mais votados em São Paulo, Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, ambos do Partido Liberal (PL), direcionaram a maior parte de suas verbas de campanha para o impulsionamento de conteúdos nas redes sociais. A estratégia digital superou, em muitos casos, os investimentos em atividades de rua, marcando uma tendência nas recentes eleições.
A análise dos gastos de campanha revela que mais de 50% do orçamento eleitoral de ambos os parlamentares foi destinado à comunicação digital, evidenciando a crescente relevância das plataformas online na busca por votos e engajamento com o eleitorado paulista.
Gastos de campanha e a estratégia digital
A prioridade no ambiente digital foi clara para os dois candidatos. Lucas Pavanato, eleito deputado federal, investiu R$ 1,352 milhão em redes sociais, o que corresponde a 50,02% do total de suas despesas de campanha, que somaram R$ 2.702.190,9. Pavanato alcançou a marca histórica de 3.038.438 votos, tornando-se o parlamentar com o maior número de votos já recebidos no estado.
Já Eduarda Campopiano, eleita deputada estadual, demonstrou uma dependência ainda maior das redes sociais em termos proporcionais. Dos seus R$ 654.315,52 de orçamento eleitoral, R$ 400 mil foram aplicados na disseminação de conteúdo online, representando 61,13% do total. Campopiano foi eleita com 1.956.238 votos, sendo a candidata ao Legislativo mais votada em São Paulo nestas eleições.
Disparidade de investimento: redes versus ruas
A discrepância entre os investimentos em plataformas digitais e a mobilização de rua é notável. No caso de Eduarda Campopiano, os R$ 400 mil gastos com impulsionamento em redes sociais superaram em mais de quatro vezes o valor dedicado a atividades de militância e mobilização de rua, que foi de R$ 94,3 mil.
Para Lucas Pavanato, a diferença também foi significativa, embora em menor proporção. Ele destinou apenas 5,04% de seu orçamento eleitoral (R$ 136.142,00) para ações presenciais com o eleitor, um valor aproximadamente dez vezes menor do que o investido em estratégias digitais.
Financiamento partidário e o peso do PL
O financiamento das campanhas de Pavanato e Campopiano foi majoritariamente provido pela direção nacional do Partido Liberal. Lucas Pavanato recebeu R$ 3.082.120,04 para sua campanha, dos quais R$ 2,86 milhões (92,79%) vieram do PL.
Eduarda Campopiano teve um orçamento de R$ 755.187,79 para a campanha à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Desse montante, R$ 700 mil (92,69%) foram oriundos do PL. Além disso, ela recebeu R$ 25 mil em doações do próprio Pavanato.
Perfis dos eleitos: Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano
Lucas Pavanato, aos 26 anos, ganhou destaque político como militante do Movimento Brasil Livre (MBL), do qual se desligou para abraçar o bolsonarismo. Antes de ser eleito deputado federal, foi o vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024, com 161.386 votos. Suas pautas incluem a proibição de terapias hormonais de transição de gênero para menores de 18 anos, o fim das cotas raciais, de gênero e para a população trans, o fim da maioridade penal em crimes hediondos, a oposição ao aborto, a privatização de estatais e a restrição de banheiros por sexo biológico. Pavanato é conhecido por suas provocações a estudantes universitários e por uma rivalidade com a deputada federal Erika Hilton.
Eduarda Campopiano, natural de Campinas, tem 23 anos e foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, em 2024, com 3.583 votos. Durante seu mandato como vereadora, foi autora de 20 projetos de lei, focados em temas como prevenção à violência doméstica contra crianças e adolescentes e a proibição de nomeação para cargos públicos de condenados por crimes sexuais contra menores. Em seu perfil oficial no Instagram, Campopiano se autodenomina a maior inimiga das feministas de São Paulo e defende posições conservadoras e cristãs, como a oposição ao aborto, a favor da redução da maioridade penal e contra a política de cotas em concursos e universidades. Para mais informações sobre financiamento de campanhas eleitorais, consulte o site do Tribunal Superior Eleitoral.
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Fonte: sobralonline.com.br