Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Câmeras corporais dos policiais não filmaram nenhuma das 122 mortes na megaoperação do RJ

Nenhuma das 122 mortes na megaoperação das Polícias Civil e Militar do Rio nos complexos da Penha e do Alemão foi filmada por câmeras corporais dos agentes. Essa é uma das conclusões de uma investigação realizada pela organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch. O relatório é divulgado nesta quarta-feira, 28 de outubro, exatamente um ano após a ação. Pesquisadores analisaram mais de 4,4 mil horas de gravações, 122 laudos de necropsia, documentos e ouviram t


Nenhuma das 122 mortes na megaoperação das Polícias Civil e Militar do Rio nos complexos da Penha e do Alemão foi filmada por câmeras corporais dos agentes. Essa é uma das conclusões de uma investigação realizada pela organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch. O relatório é divulgado nesta quarta-feira, 28 de outubro, exatamente um ano após a ação. Pesquisadores analisaram mais de 4,4 mil horas de gravações, 122 laudos de necropsia, documentos e ouviram testemunhas, familiares de vítimas e autoridades. O levantamento aponta indícios de uso excessivo da força e de manipulação de câmeras corporais por policiais, com obstruções das imagens principalmente em momentos considerados cruciais, como durante prisões, tiroteios e entradas em residências. Câmeras corporais de policiais na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Reprodução Em um áudio coletado pela investigação, um dos policiais faz um comentário sádico ao lado de corpos empilhados dentro de um veículo. Aí, que delícia, a gente gosta é disso. Ah lá, eles não são bravos? Cadê?, afirma o agente. Realizada em 28 de outubro de 2025, a Operação Contenção mobilizou mais de 2,5 mil agentes no início da madrugada. A ação buscava cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra chefes do Comando Vermelho. Os mortos foram sendo contabilizados ao longo do dia, e o número aumentava a cada balanço divulgado pelo governo. Mas a real dimensão da operação veio no dia seguinte, quando mais de 60 corpos foram retirados de uma área de mata pelos próprios moradores e enfileirados em uma praça da região. Todas os 122 mortos eram homens, sendo cinco policiais. Mais de 85% das vítimas eram negras. E nenhum dos mortos constava entre os 51 indivíduos com mandados de prisão que motivaram a operação. Defesa Civil retira corpos levados por moradores à praça São Lucas, na Penha, após operação mais letal do Rio de Janeiro José Lucena/Thenews2/Agência O Globo A investigação da Human Rights Watch aponta possíveis execuções realizadas pelas polícias. Os laudos de necropsia analisados indicam que cerca de 40% das vítimas que não eram policiais foram baleadas na cabeça, 60% receberam quatro ou mais tiros e quase 75% foram atingidas pelo menos uma vez pelas costas. César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil, destaca dois episódios: um de um homem atingido à queima-roupa e outro que foi decapitado pela polícia. Temos um caso em que houve tiros a curta distância, menos de 60 centímetros, então é muito perto. E foram vários tiros. Temos outros casos. Na necropsia de Yago Ravel, ele foi decapitado, e a cabeça dele foi colocada em uma árvore ao lado do corpo. É uma circunstância que claramente era para mandar uma mensagem. A necropsia diz que ele já tinha sido alvejado com um tiro de bala e que apresentava sinais leves de fluxo sanguíneo ainda. Então, claramente, é algo em que ele foi alvejado, morto e imediatamente teve a cabeça cortada, relata. O Ministério Público do Rio informou que já protocolou 12 denúncias contra 28 policiais militares envolvidos na operação. No entanto, a CBN apurou que, até agora, nenhum foi acusado de uso ilegal da força. Vielas destruídas no Complexo da Penha após megaoperação no Rio de Janeiro Marcelo DSants/Ato Press/Agência O Globo Além disso, dois dos coordenadores da megaoperação à época foram eleitos para cargos legislativos. O então chefe da Polícia Civil, Felipe Curi, será deputado federal. Já o chefe da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio. A CBN procurou as polícias do Rio para obter um posicionamento e ainda aguarda retorno.

Fonte: cbn.globo.com

Compartilhar