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Bracell aposta em eficiência logística e redução de emissões

Empresa busca ampliar eletrificação e uso de biometano no transporte de eucalipto; logística florestal e redução de emissões são grandes focos da operação

A Bracell tem colocado a eficiência logística no centro da estratégia para reduzir emissões e aumentar a competitividade do negócio, especialmente no transporte de eucalipto até as unidades industriais. A empresa avalia alternativas como a eletrificação de caminhões de grande porte e o uso de biometano para descarbonizar uma operação que envolve dezenas de milhares de viagens ao longo do ano.

Segundo Márcio Nappo, vice-presidente de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa da Bracell, a logística florestal é atualmente o principal ponto de atenção da companhia em relação às emissões.

O executivo afirma que, apesar de a operação industrial já apresentar um nível elevado de descarbonização, o transporte da matéria-prima ainda representa um desafio relevante.

Temos, ao longo do ano, dezenas de milhares de viagens para o transporte de eucalipto para nossa operação industrial, feito por caminhão. Com isso, há um desafio bastante importante que é a descarbonização da frota logística, disse à CNN Brasil.

A companhia já testa alternativas para enfrentar esse desafio. A Bracell foi, segundo Nappo, a primeira empresa do Brasil a realizar testes com caminhões elétricos de grande porte, com mais de 30 toneladas. A tecnologia, porém, ainda enfrenta limitações relacionadas à autonomia, principalmente pelas distâncias percorridas pela frota. Estamos falando de trajetos de 200, 300, 400 quilômetros. Então, a questão da bateria acaba sendo um elemento central nesse processo, afirmou.

Diante dessas limitações, o biometano aparece como uma alternativa que vem ganhando espaço nas avaliações da empresa. De acordo com o executivo, a Bracell tem analisado diferentes soluções para reduzir as emissões do transporte florestal e considera o combustível renovável uma possibilidade promissora.

Temos olhado várias opções, desde a eletrificação da frota. E uma que está se colocando de maneira bastante promissora é a questão do uso de biometano para essa logística florestal, afirmou.

A busca por eficiência logística faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia, que passou a incorporar metas ambientais diretamente à operação. O programa Bracell 2030, lançado em 2023, reúne 14 compromissos relacionados à biodiversidade, questões sociais, produção sustentável e mudanças climáticas.

Entre as metas estão a redução de 47% do consumo de água por tonelada de celulose produzida até 2030, a diminuição de 90% dos resíduos sólidos enviados a aterros e o corte de 75% das emissões por tonelada de celulose. Para Nappo, essas metas funcionam também como instrumentos de eficiência operacional.

Nos últimos anos, temos traduzido vários dos nossos compromissos ambientais em alavancas para melhorar a eficiência operacional, a circularidade dos materiais, a redução de custos e riscos e a resiliência do negócio, destacou.

Outra frente de geração de eficiência está na produção de energia. A operação da Bracell em São Paulo, responsável por mais de 85% da produção total da companhia, foi projetada para operar sem combustíveis fósseis. A unidade utiliza resíduos e subprodutos da fabricação de celulose, principalmente o licor negro, para produzir energia.

Em 2025, a estrutura teve capacidade de gerar até 330 MW (megawatts) de energia limpa e renovável. Parte é consumida pela própria operação e o excedente, estimado pelo executivo entre 100 MW e 150 MW, é destinado à rede nacional.

O volume é suficiente para que a planta opere totalmente livre de combustíveis fósseis e ainda sobra um excedente que temos exportado para o grid nacional. Portanto, na Bracell, não só avançamos na descarbonização e na produção de bioenergia, mas principalmente na geração de valor adicional ao negócio, afirmou.

Com isso, a produção de energia passou a representar uma frente adicional de operação. Além de produtos principais como a celulose kraft e a celulose solúvel, a empresa também passou a gerar energia renovável como parte da atividade industrial.

Rastreabilidade e mercado internacional

A estratégia de sustentabilidade também está ligada à posição da companhia nos mercados internacionais. Nappo afirma que a rastreabilidade ganhou importância nas cadeias globais, especialmente diante de novas exigências regulatórias relacionadas à origem das matérias-primas e ao desmatamento.

Segundo ele, toda a produção da Bracell é certificada por padrões internacionais do setor florestal, com rastreabilidade desde a origem da matéria-prima até a entrega ao cliente. A empresa também desenvolveu um sistema próprio para ampliar o controle sobre a origem do eucalipto.

A rastreabilidade é um conceito que veio para ficar e que vai ditar um pouco a disciplina das cadeias de produção, principalmente de commodities, nos próximos anos, afirmou.

Na avaliação do executivo, a combinação entre rastreabilidade e descarbonização tende a ser cada vez mais relevante para o acesso a mercados. A companhia afirma já ter reduzido em 47% suas emissões em relação à base de 2020 e mantém a meta de chegar a uma redução de 75% por tonelada de celulose produzida até 2030.

Nappo também destacou a necessidade de ampliar a estratégia de conservação ambiental. A Bracell mantém o chamado Compromisso Um para Um, pelo qual se compromete a proteger e conservar um hectare de mata nativa para cada hectare de eucalipto.

Para os próximos anos, a companhia pretende concentrar sua agenda de sustentabilidade em três frentes, o avanço das metas do Bracell 2030; a descarbonização da cadeia de valor com atenção especial à logística florestal e a conservação de ecossistemas naturais.

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Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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