Instituição informou que 1,2 milhões de pessoas foram ressarcidas até o momento
O Banco Central do Paraguai (BCP) informou neste sábado, 7, que 1 196 000 correntistas do Banco Ueno tiveram seu dinheiro devolvido através do fundo de garantia nacional. “A reunião com o Presidente Pedro Alliana está em curso, e uma das suas principais preocupações é a tranquilidade de todos os poupadores afetados”, afirmou o Ministro da Economia em coletiva.
Segundo o presidente interino do Banco Central do Paraguai (BCP), Pedro Acosta, os depósitos foram realizados entre quinta e sexta-feira, totalizando 996 bilhões de guaranis, o equivalente a cerca de 880 milhões de reais. “O primeiro lote variou de 1 a 10 milhões de guaranis, e ontem fizemos o pagamento de 10 milhões de guaranis, até o limite de 40 salários mínimos estabelecido por lei”, disse Acosta.
O BCP também informou que uma nova leva de ressarcimento começará na segunda-feira, com foco em depositantes que tinham débitos pendentes com o Ueno. Segundo Acosta, os valores devidos pelos correntistas serão deduzidos dos depósitos de restituição — política válida para quem tem empréstimos em aberto ou dívidas de cartão de crédito.
O órgão também afirmou que segue analisando alternativas para auxiliar os depositantes cujos saldos ultrapassam o limite de 40 salários mínimos, o máximo coberto pela garantia de depósitos. “Os trabalho nessas contas mais complexas continuam neste sábado e domingo”, atestou o presidente interino.
Já o presidente do Instituto de Seguridade Social (IPS), Derlis León, garantiu que o próximo pagamento mensal dos pensionistas será depositado normalmente no dia 17 de novembro. No total, cerca de 32 000 aposentados recebiam seus benefícios pelo Banco Ueno, gerando preocupação na população idosa. Segundo León, os trâmites para transferir essas contas para outras instituições já estão sendo concluídos.
A crise no país
A turbulência começou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, instituição do Grupo Vázquez, diante de problemas de solvência e da insuficiência de recursos para cobrir suas obrigações. Segundo as investigações, a situação estaria relacionada, entre outros fatores, a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo controlador.
O banco, que atendia cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente 850 milhões de dólares em recursos públicos, incluindo depósitos de fundos previdenciários, teve suas operações suspensas. A medida deixou correntistas sem acesso imediato ao dinheiro e provocou protestos em Assunção, capital do país. O governo anunciou que parte dos depósitos seria devolvida por meio do Fundo de Garantia de Depósitos.
A crise também atingiu diretamente o Executivo por causa da ligação anterior de Peña com o grupo controlador da instituição. O presidente havia sido acionista da holding até março de 2025. Parlamentares da oposição o acusaram de conflito de interesses, de favorecer o banco por meio de decisões regulatórias e de concentrar recursos previdenciários na instituição. Também questionaram a atuação do Banco Central diante dos problemas financeiros.
Fonte: veja.abril.com.br