Veja as propostas dos candidatos para o campo econômico
Os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participaram do primeiro debate presidencial a uma semana do primeiro turno. Durante o confronto, Lula defendeu o fortalecimento das estatais, o reajuste do salário mínimo acima da inflação, o fim da escala 6×1 e a priorização da população mais pobre e das pequenas e médias empresas nas políticas econômicas. Já Flávio Bolsonaro prometeu criar o Ministério da Prosperidade, incentivar o empreendedorismo por meio da Caixa Econômica Federal e perdoar as dívidas das famílias.
No debate, o petista lembrou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro privatizou a BR Distribuidora. Segundo Lula, a venda da estatal dificultou a capacidade do Brasil, que é autossuficiente em petróleo, de controlar os preços dos combustíveis e evitar disparadas nos valores da gasolina e do diesel em momentos de alta do petróleo no mercado internacional.
Para isso, tivemos que fazer a subvenção econômica para reduzir os preços dos combustíveis e evitar que a gasolina chegasse ao patamar do governo Bolsonaro, afirmou Lula. Durante a gestão do ex-presidente, o litro da gasolina chegou a custar 11,56 reais no interior do Acre, em 2022, em meio à alta dos preços dos combustíveis.
Diante desse cenário, Lula defendeu o fortalecimento das estatais, mas não mencionou o déficit registrado pelas empresas estatais durante seu governo: 656 milhões de reais em 2023, 6,73 bilhões de reais em 2024 e 5,13 bilhões de reais em 2025. Os dados consolidados de 2026 ainda não foram divulgados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O petista também defendeu o apoio econômico às pequenas e médias empresas. Segundo ele, o dinheiro precisa circular entre a população mais pobre e os pequenos negócios. Na avaliação de Lula, essa dinâmica tende a impulsionar a economia e pode reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).
A melhor forma de você resolver o problema da dívida desse país é a economia voltar a crescer, afirmou.
Por fim, Lula comparou a inflação dos alimentos nos dois governos. Segundo ele, os preços subiram 54,2% durante a gestão Bolsonaro, ante 13,6% em seu governo. O petista, no entanto, não apresentou uma proposta específica para conter a alta dos alimentos.
Flávio promete perdoar dívidas
Já o candidato do PL prometeu renegociar as dívidas da população com recursos adicionais de 200 bilhões de reais da União. Segundo Flávio Bolsonaro, o governo compraria as dívidas dos brasileiros junto aos bancos por valores menores e suspenderia os pagamentos por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas.
No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos. E o que vai acontecer com isso? Vai ser já por um valor muito menor, afirmou Flávio.
Para você que é pessoa física, vai ficar seis meses parada a sua dívida. Você não vai pagar boleto nenhum. E para você que é pessoa jurídica, esse prazo vai ser de um ano, acrescentou. Segundo o candidato, parcelas de 100 a 200 reais poderiam cair para 10 ou 20 reais.
O filho do ex-presidente também comentou a mudança de posição em relação ao fim da escala 6×1. Flávio afirmou que percorreu o país para ouvir trabalhadores e votou a favor da medida por compreender o desejo da população por mais um dia de folga semanal.
O candidato, porém, não comentou sua proposta de remuneração por hora trabalhada, que vem sendo criticada por petistas sob o argumento de que poderia retirar o direito à folga remunerada.
Flávio também prometeu cortar gastos relacionados às estatais, que registraram déficits bilionários durante o governo Lula. Segundo dados do TCU, os resultados negativos somaram 656 milhões de reais em 2023, 6,73 bilhões de reais em 2024 e 5,13 bilhões de reais em 2025. Os dados consolidados de 2026 ainda não foram divulgados pelo tribunal.
Em suma, os candidatos trocaram acusações e críticas durante o debate, mas também apresentaram propostas econômicas. Um dos principais pontos de divergência foi o papel das estatais: Lula defendeu essas empresas como instrumentos para ajudar a controlar os preços internos e reduzir a exposição do país a crises internacionais, enquanto Flávio Bolsonaro destacou os déficits registrados pelas companhias e prometeu reduzir os gastos.
Fonte: veja.abril.com.br