Em discurso na sede do Serviço de Segurança britânico, Ken McCallum citou Estados hostis, como Rússia e Irã, além do impacto da IA
Em discurso anual na sede do Serviço de Segurança do Reino Unido, em Londres, nesta terça-feira, 13, o chefe do serviço secreto britânico, o MI5, elencou as principais ameaças à segurança nacional.
Apesar de Moscou negar envolvimento em atividades suspeitas no Reino Unido e em outros países ocidentais, Ken McCallum chamou a Rússia de “agressora número um”. Segundo ele, o país tem intensificado a guerra “híbrida” contra o Ocidente, tentando evitar ao máximo uma resposta mais direta da Otan, a principal aliança militar ocidental.
Como exemplo de ataques que fazem parte dessa guerra híbrida, McCallum citou um ciberataque à infraestrutura energética polonesa, uma tentativa frustrada de usar um drone carregado de explosivos para destruir um avião de carga na Alemanha e um plano de assassinato frustrado nos Estados Unidos.
O diretor do MI5 também lembrou que as capacidades de Moscou foram reduzidas no exterior, já que 1.000 funcionários foram demitidos das embaixadas russas desde a invasão à Ucrânia, em 2022. Por isso, de acordo com ele, o país tem dependido de voluntários locais e de grupos criminosos para manter sua influência fora de seu próprio território.
Para o chefe do serviço secreto britânico, o Irã também estaria usando facções criminosas para atacar oponentes e interesses israelenses no Reino Unido. Teerã rejeita as acusações de atividades suspeitas no Reino Unido.
“Nos últimos doze meses, nossas operações ligadas ao Irã resultaram em mais de cinquenta prisões no Reino Unido. Infelizmente, grande parte dessa agressão tem sido direcionada às comunidades judaicas britânicas, com as quais quero expressar minha solidariedade”, complementou. Ele também mencionou a nova “ambição iraniana de atacar alvos mais difíceis, como instalações militares”.
Inteligência artificial
McCallum afirmou ainda que a IA estaria “potencializando a disputa de segurança cibernética entre atacantes e defensores”. De acordo com ele, isso acontece porque a ferramenta pode produzir propaganda e material de radicalização adaptados ao indivíduo.
“Flagramos terroristas que tentavam explorar a IA para aprimorar suas metodologias de reconhecimento e ataque, com drones equipados com IA adicionando uma nova dimensão a essa situação”, explicou.
McCallum afirmou que a maior preocupação em relação ao uso indevido da IA era o desenvolvimento de armas biológicas por terroristas ou até mesmo a criação de novos patógenos.
Terrorismo
Em abril, o Reino Unido elevou seu nível nacional de alerta terrorista para “grave”, o que significa que um ataque nos próximos seis meses é altamente provável. McCallum afirmou que a Al-Qaeda e o Estado Islâmico continuam a fazer planos para atacar o país, e que o MI5 ainda precisa responder a tentativas de realizar ataques com grande número de vítimas.
Ele disse que a tendência mais marcante do último ano foi o aumento de casos em que queixas extremas contra a imigração e os muçulmanos estavam se transformando em intenções terroristas.
Fonte: veja.abril.com.br