Atividade recuou no terceiro trimestre, segundo projeções, depois de quedas em julho e recuperação insuficiente em agosto
A economia da Argentina perdeu força no terceiro trimestre e caminha para registrar uma recessão técnica, em um revés para o governo de Javier Milei às vésperas do ano eleitoral.
Dados divulgados pelo governo nesta quarta-feira (7) mostram que a recuperação de agosto foi insuficiente para compensar as quedas registradas em julho. A construção avançou 0,4% no mês, depois de ter recuado 4,4% em julho. A indústria, por sua vez, cresceu 1,9%, após uma retração de 5,1%.
Os dois setores estão entre os principais empregadores formais do país e são considerados importantes termômetros da atividade econômica.
A expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central argentino é que o PIB tenha recuado cerca de 1% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores. Seria a segunda queda trimestral consecutiva, caracterizando uma recessão técnica.
O dado oficial do PIB do terceiro trimestre será divulgado em dezembro.
A deterioração também levou os economistas a reduzir de forma expressiva a previsão para o crescimento da economia argentina em 2026. A estimativa média caiu para 1,5%, ante 3,5% projetados no fim do ano passado.
Apesar da melhora pontual em agosto, os números indicam que a retomada perdeu intensidade. Para Jimena Zúñiga, economista da Bloomberg Economics, os resultados de indústria e construção mostram alguma recuperação, mas não suficiente para afastar o risco de recessão.
O desempenho da economia se tornou um dos principais desafios políticos de Milei. Desde que assumiu a Presidência, no fim de 2023, o ultraliberal conseguiu reduzir a inflação, que havia atingido níveis extremos, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar a estabilização dos preços em crescimento mais consistente e melhora do mercado de trabalho.
Milei minimizou recentemente os sinais de enfraquecimento da atividade e afirmou, em entrevista à Bloomberg, que o crescimento anual da economia o deixa tranquilo em relação à disputa presidencial de 2027.
A percepção da população, porém, é menos favorável. Pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg mostrou que a aprovação do presidente estava em 38% em agosto, próxima do menor nível de seu mandato.
Cerca de 70% dos argentinos classificaram a situação do mercado de trabalho como ruim.
O governo ainda aposta que a recuperação econômica ganhará força à medida que os efeitos das medidas de estabilização fiscal e monetária se consolidarem.
Os dados mais recentes, porém, mostram que o caminho entre a queda da inflação e uma retomada sustentada da atividade pode ser mais longo do que o previsto.
Fonte: veja.abril.com.br