Julliana Lopes avalia que a estratégia busca alcançar eleitores críticos ao Judiciário, alinhados ou não ao bolsonarismo, e acena com discurso do voto útil
O senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizou o termo “voto da revolta” durante live realizada após o cancelamento do debate entre presidenciáveis. A expressão foi analisada pela analista de política Julliana Lopes, que interpretou a fala como uma tentativa de ampliar o eleitorado do candidato para além do campo bolsonarista.
“A estratégia é a pessoa revoltada com o Judiciário, com as decisões do Judiciário, que não necessariamente estaria no campo do bolsonarismo, uma pessoa mais crítica ao STF”, afirmou a analista durante o Hora H desta sexta-feira (2).
Julliana destacou que esse eleitorado não está concentrado em torno de um único candidato. Nomes como Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) também disputam esse espaço, pregando, de certa forma, a necessidade de reformas no Judiciário e a limitação de mandato de ministros do STF.
“É um campo maior. É claro que é preciso convencer, mas já é uma tentativa de conversar e dialogar de alguma forma com esse público”, pontuou a analista.
A analista avaliou que a fala de Flávio Bolsonaro também representa um aceno ao discurso de concentrar os votos da direita em um único candidato.
“É uma tentativa da campanha de olhar também para o voto útil, que é o ponto essencial de discussão nesse momento”, disse Julliana, acrescentando que as campanhas já olham também para os movimentos no segundo turno.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br