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Açudes Triste Fim Silencioso

Existe uma ameaça oculta que está acontecendo nos açudes e barragens no Semiárido: Sedimentos o que causa a morte silenciosa dos reservatórios. Para o observador desatento que contempla um açude sangrando ou um grande lago espelhando o sol do sertão, a sensação é de segurança hídrica absoluta. Aparentemente, está tudo bem. No entanto, sob [] The post Açudes Triste Fim Silencioso appeared first on O Estado CE.

Existe uma ameaça oculta que está acontecendo nos açudes e barragens no Semiárido: Sedimentos o que causa a morte silenciosa dos reservatórios. Para o observador desatento que contempla um açude sangrando ou um grande lago espelhando o sol do sertão, a sensação é de segurança hídrica absoluta. Aparentemente, está tudo bem. No entanto, sob a superfície serena dessas águas, esconde-se uma das maiores e mais silenciosas armadilhas ambientais do Semiárido: a ameaça dos sedimentos. A diminuição drástica da capacidade de armazenamento dos nossos reservatórios é um problema invisível aos olhos, pois repousa submerso, no fundo do lago. Onde antes havia espaço para acumular água essencial para os anos de seca, hoje há um acúmulo contínuo, letal e progressivo de terra, areia e detritos. A Matemática do Assoreamento e a Armadilha da Água – O avanço do desmatamento e a degradação acelerada do solo nas áreas de bacia hidrográfica retiraram a proteção natural da terra. Sem a cobertura vegetal, as chuvas – que no Semiárido costumam ser concentradas e torrenciais – lavam o solo desprotegido, arrastando toneladas de sedimentos diretamente para o leito dos rios, barragens e açudes, causando: (i) Perda Anual – Estima-se que esse processo de erosão e assoreamento reduza a capacidade de recarga e armazenamento dos reservatórios em um volume de em torno de 1% ao ano; (ii) Ilusão de Ótica – Com o fundo cada vez mais raso pelo acúmulo de sedimentos, o açude atinge sua cota máxima e sangra muito mais rápido. Isso cria na sociedade e nos gestores a falsa impressão de abundância hídrica, quando, na verdade, o volume real de água armazenada está sendo estrangulado. Os Impactos Futuros (Colapso Anunciado) – Se continuarmos perdendo 1% da nossa capacidade de armazenamento anualmente, o futuro próximo nos reserva uma conta matemática insustentável. Essa redução progressiva e submersa impacta diretamente a espinha dorsal da sobrevivência e do desenvolvimento regional: (iii) Abastecimento dos Centros Urbanos – A segurança hídrica das cidades fica gravemente comprometida. Reservatórios assoreados formam espelhos dágua muito mais rasos, o que acelera brutalmente o processo de evaporação sob o sol do sertão. Com isso, o tempo que a água consegue abastecer a população durante os veranicos ou ciclos do El Niño é drasticamente encurtado; (iv) Projetos Hidroagrícolas – A agricultura irrigada e os grandes perímetros produtivos, que dependem de estabilidade e previsibilidade de outorga dágua, perdem sua principal garantia de operação. A falta de capacidade de armazenamento coloca em risco a produção de alimentos, a geração de renda e a permanência do homem no campo. Solução? O Recaatingamento (filtro do Reciprocidalismo).

NIZOMAR FALCÃO BEZERRA
PH.D. ENG. AGRº. –
EMATERCE

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Fonte: oestadoce.com.br

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