Cientista política analisa os movimentos dos dois candidatos na campanha
A campanha de Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com uma vantagem estratégica na formação de alianças, na avaliação da cientista política Daniela Alves. Em participação no VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, ela afirmou que o senador conseguiu ampliar sua base política depois de uma primeira etapa marcada pela pulverização das candidaturas de direita. Luiz Inácio Lula da Silva, por outro lado, teria menos margem para buscar novos apoios, depois de concentrar as forças da esquerda em torno de sua candidatura (este texto é um resumo do vídeo acima).
O movimento ocorre enquanto partidos como União Brasil, PP, Republicanos e Novo declararam apoio a Flávio, enquanto o PSDB ainda discutia entre aderir ao senador e manter neutralidade. Para Daniela, cada novo apoio tem peso não apenas eleitoral, mas também político. “Quando você consegue ampliar essas alianças, você também mostra à sociedade a sua capacidade de diálogo e mostra também como você vai governar”, afirmou.
Por que Flávio tem mais espaço para ampliar alianças?
Segundo Daniela, a principal diferença entre as duas campanhas está na forma como a primeira etapa da eleição foi disputada. Enquanto a esquerda concentrou forças em Lula, as candidaturas de direita ficaram mais pulverizadas, permitindo que diferentes nomes apresentassem seus projetos e construíssem posições próprias durante a campanha.
Na avaliação da cientista política, essa fragmentação pode agora favorecer Flávio na busca por apoios. Os candidatos que ficaram pelo caminho já tiveram a oportunidade de apresentar suas propostas aos eleitores e estabelecer uma identidade política, o que pode facilitar a aproximação com o senador no segundo turno.
“É claro que nunca se tem uma transferência total de votos”, ponderou Daniela. Para ela, porém, a tendência é que Flávio tenha mais facilidade para incorporar parte desse eleitorado do que Lula.
O que está em jogo para o PSDB?
A decisão do PSDB sobre o segundo turno, segundo Daniela, ultrapassa a eleição presidencial. O partido, que historicamente ocupou espaço relevante nas disputas nacionais contra o PT, estaria diante de uma escolha sobre sua própria identidade política.
Com o crescimento do bolsonarismo e de uma nova direita, avalia a cientista política, o PSDB perdeu espaço e identidade. Agora, precisa definir se pretende se posicionar mais próximo do centro-esquerda ou do centro-direita.
“Essa própria definição do PSDB vai definir também os rumos do partido para os próximos anos e até mesmo se eles vão conseguir sobreviver neste ambiente”, afirmou.
Qual é o caminho de Lula para tentar virar o jogo?
Para Daniela, a situação da campanha petista é “extremamente complicada”. Depois de concentrar as forças da esquerda em torno de Lula no primeiro turno, o presidente teria agora pouca margem para ampliar alianças partidárias.
A estratégia passa, portanto, por uma tentativa de reconexão com setores da sociedade. Segundo a cientista política, a campanha está adotando uma nova linguagem, sobretudo nas redes sociais, com o objetivo de alcançar eleitores mais jovens e aproximar novamente o PT de parcelas do eleitorado que se distanciaram do partido.
Daniela avalia que o problema não é apenas a linguagem utilizada pela campanha, mas uma dificuldade de conexão com a realidade atual. “Não é apenas por conta da linguagem, mas a desconexão [com a] realidade atual, uma mentalidade ainda antiga de se fazer política”, afirmou.
A nova estratégia pode produzir uma virada?
A cientista política considera possível que a mudança de comunicação produza alguma conversão de votos, mas avalia que dificilmente será suficiente para alterar o resultado da disputa.
“Eu acredito que pode até converter, mas não no volume suficiente para ele conseguir virar neste segundo turno”, disse Daniela.
A avaliação leva em conta justamente a combinação de fatores que, segundo ela, favorece Flávio: a possibilidade de incorporar parte dos votos de candidatos derrotados, a ampliação do arco de alianças e uma campanha de Lula que precisa, em pouco tempo, reconstruir sua conexão com segmentos do eleitorado.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: veja.abril.com.br