Iniciativas são apoiadas pelos ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia
Enquanto o Brasil amplia a cobertura do 5G, instituições de pesquisa trabalham no desenvolvimento da próxima geração de internet móvel. O Ministério das Comunicações afirma, em nota a Veja, que 1,7 mil municípios já contavam com sinal 5G, disponível para 77% da população, e previa alcançar 2,2 mil cidades até o fim de 2026. A pasta afirma que os investimentos em pesquisa para o 6G são complementares à expansão da rede atual.
Uma das iniciativas é o Brasil 6G, coordenado pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).
Segundo Luciano Leonel, coordenador do Centro de Competência Embrapii Inatel em Redes 5G e 6G, o projeto passou por quatro fases: identificação das necessidades brasileiras, desenvolvimento de tecnologias para atendê-las, construção de uma plataforma de testes e desenvolvimento de protótipos que possam chegar ao mercado. O trabalho prioriza aplicações como conectividade rural, agronegócio, mineração e monitoramento ambiental.
O executivo afirma que o Brasil precisa investir em infraestrutura para acompanhar a evolução tecnológica. O primeiro ponto é a disponibilidade energética. É necessário ter energia disponível a um custo mais baixo, diz. O pesquisador também destaca a importância das conexões entre antenas e da integração entre redes terrestres e satelitais.
Já Carlos Nazareth, diretor do Inatel, considera provável que as primeiras redes comerciais 6G sejam implantadas a partir de 2030. Até lá, reforça que será necessário concluir os estudos de base, definir os padrões internacionais, avançar nas decisões regulatórias e fabricar os primeiros equipamentos. Ele também aponta o retorno financeiro dos investimentos em 5G, a capacidade de investimento das operadoras e as disputas geopolíticas por patentes e liderança tecnológica como fatores que podem afetar o cronograma.
Outro projeto é o ERA 6G, desenvolvido pelo CPQD com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), ligado ao Ministério das Comunicações. Com duração prevista de 36 meses, ele busca desenvolver uma infraestrutura de redes abertas e programáveis, com inteligência artificial integrada.
Fonte: veja.abril.com.br