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Nova ofensiva de Trump contra o Irã pode pressionar contas do próximo governo brasileiro

Ian Bremmer prevê ataques americanos depois das eleições legislativas de novembro, aumentando a pressão sobre combustíveis

O próximo presidente brasileiro poderá enfrentar uma nova escalada da guerra no Oriente Médio antes mesmo de assumir o cargo. O cientista político americano Ian Bremmer, fundador da consultoria Eurasia Group, considera mais provável do que improvável que Donald Trump ordene uma nova ofensiva militar contra o Irã depois das eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro apenas nove dias após o segundo turno presidencial brasileiro.

Na avaliação de Bremmer, o governo americano prepara uma operação curta, mas suficientemente intensa para atingir instalações militares, estoques de mísseis e drones e estruturas ligadas ao programa nuclear iraniano. O objetivo seria demonstrar força sem provocar uma reação que colocasse em risco a infraestrutura energética dos países do Golfo. Trata-se, por enquanto, de uma projeção do analista, não de uma operação oficialmente anunciada por Washington.

Para o Brasil, o risco está sobretudo nos combustíveis. A guerra já obrigou o governo Lula a ampliar programas de subvenção e desoneração para amortecer a alta dos preços. Somente em outubro, foi aberto um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para financiar subsídios, dos quais R$ 6,17 bilhões destinados ao diesel rodoviário.

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Uma nova ofensiva americana poderia ampliar a pressão sobre os preços internacionais do petróleo e de seus derivados, justamente quando o país enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas. O barril de Brent era negociado na casa dos 108 dólares nesta segunda-feira, 19, em meio à intensificação dos ataques contra embarcações no estreito de Ormuz.

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O cenário preocupa também pelo horizonte mais longo. A Agência Internacional de Energia já alertou que a escassez mundial de diesel poderá persistir até 2027, em razão das dificuldades de produção e refino provocadas pelas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia.

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Bremmer acredita que Trump tentará limitar a duração dos bombardeios para declarar uma vitória militar sem desencadear uma guerra ainda maior. A principal incerteza, porém, está na resposta iraniana. Caso Teerã amplie os ataques às rotas de transporte de petróleo ou à infraestrutura energética regional, o custo econômico poderá ultrapassar as expectativas de Washington e chegar diretamente à mesa do próximo presidente brasileiro.

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Fonte: veja.abril.com.br

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