Forças ucranianas dependem do sistema de satélites para se defender de ataques russos e operações com drones
O bilionário Elon Musk ordenou, na semana passada, a redução da velocidade do braço militar do Starlink, serviço de satélite da SpaceX, na Ucrânia, informou o jornal americano The Wall Street Journal na terça-feira 20. As Forças Armadas ucranianas dependem do mecanismo tanto para interceptar ataques russos quanto para bombardear alvos no país inimigo.
Desde a semana passada, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou que falhas no Starlink prejudicaram comunicações no campo de batalha e operações com drones. Fontes ouvidas pelo WSJ relataram que a decisão de limitar o sistema veio num telefonema entre Musk e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Anteriormente, a agência de notícias Reuters já havia noticiado que a ordem para restringir a velocidade dos satélites para uso militar, sistema conhecido como Starshield, partiu de dentro da Casa Branca.
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Trump negou, na semana passada, que ele ou Musk fossem responsáveis pela perda de acesso da Ucrânia ao Starlink; por sua vez, o CEO da SpaceX e da Tesla declarou que quaisquer limitações de velocidade ou de uso do sistema partiram de decisões tomadas pelo Exército americano ou pelo presidente.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, por sua vez, rejeitou ter restringido o acesso, mas sugeriu que o problema estaria relacionado aos termos de serviço que Kiev precisava cumprir.
Atritos
As relações de Zelensky com Washington atingiram um novo patamar de desgaste após Trump anunciar um acordo com o país de Vladimir Putin para comprar diesel russo e suspender novas sanções contra Moscou, na esperança de baixar o preço dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato, em novembro.
O ocupante do Salão Oval também orientou Kiev a interromper os ataques a refinarias russas durante uma suposta “trégua energética” — que foi ignorada pela Rússia e depois pela Ucrânia — e instou os ucranianos a elegerem outro presidente.
“Sugiro que arranjem um novo líder que consiga fechar um acordo (de paz). Por algum motivo, (Zelensky) nunca faz isso”, disse ele a repórteres na Casa Branca, na segunda-feira 19.
O mandatário ucraniano está em Oslo, em uma tentativa de reparar as relações com os Estados Unidos. Na terça-feira 20, ele reuniu-se com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner, que participou por videoconferência. Líderes noruegueses e finlandeses também participaram. Ao final do encontro, Zelensky reivindicou ter voz em qualquer negociação sobre o futuro de seu país.
Fonte: veja.abril.com.br