Montadora alemã cortou projeção de margem de lucro para 2026 diante da demanda mais fraca em seu maior mercado e do aumento dos custos de produção
A companhia agora espera que a margem operacional ajustada de sua divisão de automóveis fique entre 2% e 3% em 2026, abaixo da estimativa anterior, de 3% a 5%. O indicador mede a parcela da receita que permanece como lucro operacional, descontados os custos e despesas da atividade. A Mercedes-Benz também revisou sua expectativa de lucro antes de juros e impostos, que deverá ficar próximo dos 5,82 bilhões de euros registrados em 2025. Anteriormente, a empresa projetava um crescimento expressivo desse resultado.
A revisão das projeções provocou uma queda de até 5,5% nas ações da montadora nas primeiras negociações desta terça-feira nas bolsas europeias. Desde o início de 2026, os papéis acumulam desvalorização superior a um terço de seu valor.
A China, maior mercado da Mercedes-Benz, tem sido um dos principais desafios para a fabricante ao longo do ano. As entregas de veículos no país já haviam recuado 27% no primeiro trimestre e 30% no segundo, sempre na comparação anual. A retração reflete as dificuldades enfrentadas pelas montadoras estrangeiras no mercado chinês, onde a concorrência de fabricantes locais tem se intensificado.
Nos resultados preliminares do terceiro trimestre, a Mercedes-Benz informou uma margem operacional ajustada de 2,5% na divisão de automóveis e de 9,4% no segmento de vans. O lucro operacional do grupo, medido pelo resultado antes de juros e impostos, foi estimado em 1,77 bilhão de euros, enquanto o fluxo de caixa livre das operações industriais ficou em 172 milhões de euros.
Para tentar recuperar a competitividade, a montadora aposta no lançamento de mais de 40 veículos nos próximos dois anos, além de medidas de redução de custos, que incluem cortes de pessoal e a transferência de parte da produção da Alemanha para países com custos operacionais menores, como a Hungria.
A revisão das expectativas coloca a Mercedes-Benz ao lado de outras fabricantes alemãs, como Volkswagen e BMW, que também enfrentam dificuldades no mercado chinês. A companhia divulgará os resultados completos do terceiro trimestre nesta quarta-feira, 28.
Fonte: veja.abril.com.br