Aquisição amplia a presença do iFood no mercado de benefícios e deve criar uma carteira de 3 milhões de usuários
O iFood Benefícios anunciou a aquisição da startup Caju, que também atua no mercado de cartões de benefícios corporativos, na terça-feira, 20. A empresa e o negócio são avaliado em cerca de 1 bilhão de reais. Agora cabe ao Banco Central e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avaliar a aquisição. Até a conclusão da análise regulatória, as duas companhias continuarão operando separadamente, sem mudanças para clientes, funcionários e parceiros.
A transação amplia a presença da companhia de entregas em um segmento que movimenta aproximadamente 150 bilhões de reais por ano no Brasil. O mercado reúne mais de 22 milhões de trabalhadores vinculados a cerca de 470 mil empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e passa por mudanças nas regras de funcionamento. Criadas em 2020, Caju e iFood Benefícios disputam espaço nesse setor com soluções de benefícios flexíveis.
A união das carteiras deve reunir mais de 3 milhões de usuários cadastrados e ultrapassar 130 mil empresas atendidas. Antes da aquisição, o iFood Benefícios contabilizava 1,7 milhão de cadastros e 65 mil clientes empresariais, além de movimentar 1,3 bilhão de reais mensais. A Caju, por sua vez, tinha 1,3 milhão de usuários e cerca de 70 mil empresas em sua base. Mesmo com a expansão, o grupo combinado permanecerá distante das líderes Alelo e Edenred, que contam, cada uma, com mais de 10 milhões de trabalhadores cadastrados.
A mudança de controle acontece em um período de reestruturação do setor. Em novembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que fixou em 3,6% o limite das taxas cobradas pelas operadoras de benefícios de estabelecimentos como restaurantes e supermercados. A medida altera as condições de atuação de empresas que tradicionalmente operavam em redes fechadas, nas quais os cartões eram aceitos apenas em estabelecimentos conveniados e as tarifas podiam ultrapassar esse percentual.
Com a abertura dos arranjos de pagamento, os vales-refeição e alimentação deverão funcionar em qualquer máquina de cartão de estabelecimentos habilitados, incluindo padarias, restaurantes e supermercados. A mudança nas regras modifica a dinâmica competitiva de um mercado no qual grandes operadoras mantinham redes próprias de aceitação.
A aquisição também se insere no plano de expansão do iFood no país. Em setembro, a companhia anunciou que investirá 24 bilhões de reais no exercício fiscal que vai de abril de 2026 a março de 2027, um aumento de 41% em relação ao período anterior. O programa prevê recursos para reforçar os serviços de entrega, entrar em novas categorias, desenvolver tecnologia própria e ampliar a oferta de soluções que não se limitem ao delivery. A compra da Caju faz parte desse orçamento.
Fonte: veja.abril.com.br