Atos contra a alta do custo de vida reuniram mais de 500 mil pessoas; Macron diz que responsáveis por saques vão pagar pelos danos
O Ministério do Interior da França informou neste domingo, 18, que 2 397 pessoas foram detidas e 997 policiais ficaram feridos, sete deles com gravidade, nos protestos do sábado, 17. Os atos, contra o aumento do custo de vida e a precarização dos serviços públicos, reuniram mais de 500 mil pessoas em dezenas de cidades francesas.
Embora a maior parte das manifestações tenha sido pacífica, grupos violentos entraram em confronto com a polícia, saquearam estabelecimentos comerciais e atacaram prédios públicos. Em Paris, o Ministério Público informou que mais de 500 pessoas seguiam detidas neste domingo, entre elas 171 menores de idade.
A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água contra os manifestantes, que lançaram objetos e dispararam fogos de artifício. Um jovem de 17 anos perdeu uma das mãos em Saint-Étienne, no centro-leste do país, após a explosão de uma granada lançada pelas forças de segurança, e uma adolescente da mesma idade perdeu um dos olhos em Mulhouse, no leste.
A resposta de Macron
Sob pressão, o presidente Emmanuel Macron fez um pronunciamento na TV neste domingo. Nada justifica, nada explica e nada desculpa a violência, afirmou. Quem saqueou terá de pagar pelos danos, e aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados.
O presidente pediu, no entanto, que os responsáveis pelos distúrbios não sejam confundidos com as centenas de milhares de pessoas que se manifestaram pacificamente no sábado.
O que motivou os protestos?
A mobilização começou no mês passado, com estudantes denunciando as condições das escolas e a falta de professores em bairros periféricos de baixa renda. O movimento cresceu e passou a incorporar a insatisfação com a desigualdade, os cortes nos gastos públicos e a alta do custo de vida.
A convergência entre o movimento estudantil e o descontentamento social mais amplo levou centenas de milhares de pessoas às ruas. Nos confrontos, policiais e veículos oficiais foram atacados, e boutiques de luxo e supermercados, saqueados.
(Com AFP)
Fonte: veja.abril.com.br