Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Luiza Brunet fala de abuso, luta pelas mulheres e eleição de Eduarda Campopiano

Aos 64 anos, empresária, ex-modelo e ativista é a convidada do programa semanal da coluna GENTE

Ao passar por uma violência doméstica em seu último casamento, Luiza Brunet, 64 anos, reinventou sua imagem pública e passou a usar a própria história para dar visibilidade ao enfrentamento do alarmante número de feminicídios no país. Transformando a experiência pessoal em bandeira de conscientização, a ex-modelo e empresária agregou força simbólica a sua imagem pública, construída como uma das mais emblemáticas da moda brasileira. Modelo de projeção internacional, tornou-se símbolo de beleza e elegância nos anos 1980 e 1990, além de marcar presença no Carnaval como rainha de bateria da Portela e Imperatriz Leopoldinense. Convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku), Luiza relembra sua trajetória, fala sobre a luta na causa feminina e como recebeu a polêmica envolvendo sua filha, Yasmin Brunet, 38, em amizade próxima ao banqueiro Daniel Vorcaro.

(Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)

DIREITO DAS MULHERES. A Espanha tem a Lei Mariana Payne, tem o número 80, tem a questão da proteção da mulher, mas a maioria dos países ainda não tem. O Brasil é uma grande referência de políticas públicas, de justiça para as mulheres. Como a questão do empreendedor feminino, a gente motiva muitas mulheres a acessar a informação, mas precisa de mais… Precisa de educação, de saúde, precisa manter essas mulheres motivadas a crescerem, porque, infelizmente, a gente passa por essa questão da violência de gênero no Brasil. é preciso trazer para essas mulheres a força da feminilidade, da competência delas, da realidade de que elas podem conseguir um trabalho, se manter e sair de relacionamentos abusivos quando se tem autonomia financeira.

VIOLÊNCIA SEM CLASSE SOCIAL. A partir do momento que ela pode sair da casa, tem o seu dinheiro guardado, ela pode recomeçar. Mas não são só as mulheres (mais pobres) que sofrem violência doméstica, as que têm aportes financeiros também. Muitas são bem estruturadas financeiramente, com suas profissões, sofrem violência doméstica e não falam. Acho só que as mulheres mais simples têm mais coragem de compartilhar suas dores. Vejo isso porque vou em muito lugar vulnerável e elas têm uma fala muito aberta, mais franca. Elas não sentem vergonha de dizer que foram vítimas de violência e que ainda estão no casamento porque não têm condições financeiras de romper com o ciclo da violência. E vejo mulheres muito bem alavancadas, com profissões, desde a magistratura, médicas, diversas profissões bem estabelecidas, que sofrem violência doméstica, mas não se colocam para mudar esse ciclo.

Continua após a publicidade

ABUSO AOS 11 ANOS. Meu pai veio junto com a gente, obviamente, ela (sua mãe) achando que talvez pudesse mudar (a realidade de violência que ela sofria com ele). Eu tinha 11 anos. E aí fui destinada para trabalhar numa casa de família, onde sofri um abuso sexual. Ali começa uma história que tem tudo a ver com o ativismo, que são os temas que eu trabalho hoje em dia e falo sobre essa questão. A gente fala sobre migração também, porque migração é isso, é um pai nordestino com mãe carioca, com bisavó amazonense, que mora no Mato Grosso do Sul, volta para o subúrbio do Rio de Janeiro. Faço parte dessa migração interna.

LEVANDO A PAUTA AO SENADO. Lembro que eu estava falando uns dois ou três anos atrás no Senado Federal, apresentando números sobre violência de gênero no Brasil. E aí fiz um questionamento interessante, sem brigar com ninguém. Perguntei para elas quem tinha feito algo voltado às mulheres brasileiras imigrantes. Quantas mulheres brasileiras imigrantes sofrem violência doméstica? Eles não sabiam. Minha provocação trouxe um dado de mulheres brasileiras que sofrem violência fora do Brasil. Viajo muito para fora do Brasil, a vários países para conversar com mulheres brasileiras imigrantes, seja no consulado brasileiro ou em embaixadas, em escola ou faculdade, em organismos que cuidam dessas mulheres… E o que mais ouço delas é a questão da violência de gênero atrelada à xenofobia.

Continua após a publicidade

PAUTA NA ELEIÇÃO. A pauta da mulher diz respeito à sociedade como um todo. Não é isolada da mulher da direita, da mulher da esquerda ou de centro. É uma pauta que diz respeito a mulheres, a homens e mulheres, à sociedade como um todo. Não importa quem vença a eleição agora. O importante é que continue essa proteção às mulheres, é fundamental para a gente manter as nossas mulheres vivas, com dignidade, tendo saúde, educação, tendo comida no prato, tendo emprego, que elas possam ser mulheres livres.

YASMIN E DANIEL VORCARO. A concentração dessa história… de que isso é um crime que foi cometido, que foi um crime importante… Há muitas pessoas ali para serem analisadas. E aí fizeram o recorte de mulheres, não só da Yasmin, mas de outras tantas mulheres. Eu sempre acho que isso é uma cortina de fumaça para dar uma dissolvida na história, para você prestar atenção em outras coisas. Porque é mais midiático falar sobre mulheres do que falar sobre o problema que tem que ser resolvido. Mas é muito chato, porque muita coisa é inverdade da maneira que foi colocada. Há acesso à informação, mas criam uma narrativa que, muitas vezes, destrói a vida das pessoas ou deixam-nas desequilibradas, chateadas. A gente tem que esperar passar as eleições para falar sobe isso.

Continua após a publicidade

YASMIN E DANIEL VORCARO 2. Falei para a Yasmin que é para esclarecer isso de uma forma que possam entender que, de fato, ela não é aquela pessoa que estão colocando. E, afinal de contas, acabo entrando no rolo também. Porque a mãe também (sai como culpada), a fruta não cai longe do pé. São críticas que me ferem também, porque nos colocam como se fôssemos mulheres de vida fácil, disponível. Yasmin trabalha desde muito pequena, desde os 12 anos. Ela tem a marca dela, trabalha demais. E é chato ver que as pessoas a colocando dessa forma que tenho visto.

YASMIN E DANIEL VORCARO 3. Se ela foi amiga do Daniel Vorcaro? Todo mundo foi amigo do Daniel Vorcaro (diz em tom de ironia). Eu nunca tinha ouvido falar desse senhor. Eu ouvi falar agora. Então, assim… Nada que ela tenha feito ou que eu não tenha feito não é um problema para se colocar no meio de um problemaço maior, que se existe através do Vorcaro e de pessoas que estiveram junto a ele.

Continua após a publicidade

EDUARDA CAMPOPIANO. Vejo que essa mocinha (candidata a deputada federal mais votada por São Paulo, filiada ao PL), que saiu agora da adolescência, começa a falar uma fala dura, e fico ainda mais impressionada que dois milhões de pessoas votaram nela; e provavelmente a maioria são mulheres. Mas também estou vendo que muitos homens estão questionando essa fala dela. Vários homens, questionando a atitude e a posição dela. É também uma possibilidade de virada de chave, porque a luta tem que ser de todos, não só das mulheres.

BRIGA COM MARA MARAVILHA. Eu já me acostumei com essas coisas (Mara veio a público dizer que Luiza teria inventado que sofreu violência para obter dinheiro; depois precisou se desculpar), claro que isso ofende, mas já não dou tanta importância como dava em 2016, 2017. Eu vejo essas pessoas como vítimas. Vejo que elas falam isso porque estão mostrando o que sentem, o que passam, o que elas vivenciam e o que não conseguem (mudar). Então, é mais fácil você apontar o dedo para outras pessoas. Já não me fere de jeito nenhum. Não respondo mais a esse tipo de grosseria ou de falta de educação, falta de respeito, falta de solidariedade. Mas tenho muita pena dessas mulheres com comportamento agressivo num tema que é importante. De 2016 para cá, o que faço é me dedicar a essa pauta.

Continua após a publicidade

Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221).

Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar