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JP Morgan rebaixa recomendação para o real após reeleição de Lula

Banco também reduz exposição recomendada a títulos públicos brasileiros e projeta dólar a R$ 5,50; na Bolsa, estimativa é de queda de cerca de 20%

O J.P. Morgan rebaixou de overweight (exposição acima da referência) para marketweight (posição neutra) sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros negociados em moeda local após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, 25. 

Em relatório publicado nesta segunda-feira, 26, o banco afirma que os investidores esperavam um resultado diferente nas urnas e prevê uma reavaliação dos ativos financeiros do país. A instituição trabalha com uma cotação de 5,50 reais para o dólar e estima que a Bolsa brasileira possa recuar cerca de 20% nos próximos dias.

A mudança na avaliação do real indica que o banco deixou de recomendar uma exposição superior à referência de mercado para a moeda brasileira. Todavia, ele não passou a apostar diretamente contra o câmbio nacional. Segundo a análise, os juros elevados no Brasil podem limitar a desvalorização da moeda, ao manter atrativa a diferença de retorno entre os investimentos brasileiros e os de outros países.

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Na renda fixa, o J.P. Morgan também alterou sua avaliação dos títulos da dívida soberana brasileira emitidos no exterior, passando de marketweight para underweight (exposição abaixo da referência). Para ele, esses papéis podem continuar sob pressão enquanto não houver sinais de mudança na condução da política fiscal.

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Bolsa pode cair 20%

Para o mercado acionário, a instituição projeta uma queda de aproximadamente 20% em relação aos níveis anteriores à reação dos investidores ao resultado eleitoral. A estimativa considera uma redução no múltiplo preço/lucro das empresas brasileiras, que representa quanto os investidores estão dispostos a pagar pelos lucros esperados das companhias.

O banco havia elevado sua recomendação para as ações brasileiras após o primeiro turno, diante da expectativa de mudanças na política econômica. Com a vitória de Lula, a avaliação é que essa perspectiva perdeu força. 

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O impacto, segundo o relatório, deve variar conforme o setor. Empresas domésticas mais sensíveis aos juros, como bancos, tendem a sofrer mais com a reversão do movimento de alta registrado após o primeiro turno. Já companhias exportadoras podem apresentar desempenho relativamente melhor, beneficiadas pela desvalorização do real.

Cenário fiscal e próximos passos

O texto também aponta a situação das contas públicas como um fator importante para o comportamento dos ativos brasileiros. A dívida pública bruta chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, enquanto a maior parte do orçamento está comprometida com despesas obrigatórias.

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Entre os próximos acontecimentos a acompanhar, o J.P. Morgan destaca a composição do novo governo, especialmente a escolha do ministro da Fazenda, e as sinalizações sobre o Orçamento de 2027. A instituição avalia que uma indicação bem recebida pelo mercado e um orçamento compatível com as regras fiscais poderiam aliviar as preocupações dos investidores.

Além disso, é mencionada a reação da oposição ao resultado eleitoral e a capacidade do governo de negociar com um Congresso de perfil mais à direita. Embora espere turbulência nos mercados no curto prazo, o banco considera que o impacto da eleição sobre o crescimento econômico tende a ser amplamente neutro no médio prazo.

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Fonte: veja.abril.com.br

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