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Itália tem saques, confrontos e mais de 270 detidos em meio a onda de protestos na Europa

Após centenas de detenções em Milão, Giorgia Meloni convoca reunião de emergência para discutir medidas de segurança

A polícia italiana deteve 271 pessoas durante dois dias de distúrbios em Milão, no norte do país, após protestos contra o aumento do custo de vida e a precariedade dos serviços públicos terminarem em confrontos, saques e atos de vandalismo. A onda de tensão levou a primeira-ministra Giorgia Meloni a convocar uma reunião de emergência sobre segurança nesta segunda-feira, 19.

No centro de Milão, manifestantes encapuzados incendiaram lixeiras, depredaram estabelecimentos comerciais e saquearam lojas, incluindo unidades das redes de artigos esportivos Decathlon e Arc’teryx e da operadora de telefonia Vodafone. A polícia antimotim recorreu a gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os grupos, que lançaram pedras, lixeiras e cadeiras contra os agentes. Mais de 5.000 pessoas participaram das manifestações ao longo do fim de semana, segundo relatos da imprensa italiana.

De acordo com a polícia, 32 dos detidos foram presos, entre eles 23 menores de idade e 13 estrangeiros. Outras 28 pessoas foram encaminhadas às autoridades judiciais. A imprensa local também relatou feridos, incluindo policiais. A promotoria de Milão solicitou penas de prisão para cinco adultos detidos por suspeita de saques, vandalismo e resistência à prisão.

A violência não ficou restrita à capital financeira italiana. No sábado, confrontos também foram registrados em Bolonha, Brescia, Bérgamo e Turim, no norte do país. Segundo Meloni, manifestantes foram detidos em Turim enquanto carregavam paralelepípedos e martelos que poderiam ser usados para quebrar vitrines. Em Bolonha, uma estação ferroviária foi fechada preventivamente após distúrbios.

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Em publicação nas redes sociais, a primeira-ministra condenou os atos de vandalismo e defendeu uma resposta firme das autoridades. Manifestar-se é um direito. Devastar nossas cidades não é, escreveu. Meloni também cobrou que os adversários políticos condenassem os episódios de violência, argumentando que qualquer hesitação poderia servir de justificativa para novos atos.

A líder do Partido Democrata, Elly Schlein, afirmou que sua legenda condena a violência, mas ressaltou que os distúrbios não devem ser usados para deslegitimar os manifestantes pacíficos que protestam contra as dificuldades econômicas. Meloni enfrenta eleições no próximo ano, em um cenário de pressão política sobre o governo.

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Onda de protestos na Europa

Os confrontos na Itália ocorrem em meio a uma onda de manifestações que se espalha por diferentes países europeus, impulsionada sobretudo pela insatisfação com o custo de vida, o acesso à educação e à moradia e a precariedade dos serviços públicos. Com forte participação de jovens, os atos também refletem reivindicações específicas de cada país, como denúncias de corrupção e críticas a medidas dos governos.

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Na França, entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram de manifestações no sábado, segundo estimativas das autoridades e da central sindical CGT. Embora a maior parte dos atos tenha sido pacífica, episódios de violência terminaram em saques, incêndios e depredação de prédios públicos. Mais de 1.800 pessoas foram presas, e centenas de agentes de segurança e bombeiros ficaram feridos, segundo o Ministério do Interior francês.

Na Bélgica, estudantes protestaram contra o aumento dos custos da educação e mudanças que, segundo eles, podem dificultar o acesso ao ensino superior. Em Portugal, manifestantes montaram acampamentos em Lisboa para denunciar o encarecimento da moradia, enquanto na Albânia os atos contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama foram marcados por confrontos com a polícia e acusações de corrupção. Na Espanha, mobilizações contra o preço da habitação também vêm ocorrendo nas últimas semanas.

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O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmou estar preocupado com o que considera um fenômeno de alcance internacional, capaz de se alimentar de episódios semelhantes em outros países. Em declarações à agência italiana Ansa, ele relatou vitrines quebradas, lojas saqueadas e moradores assustados, e disse que cenas semelhantes têm sido vistas em cidades de diferentes partes do mundo.

Na Itália, os distúrbios foram precedidos por manifestações antigovernamentais de estudantes em várias cidades na sexta-feira. A sucessão de protestos e confrontos amplia a pressão sobre as autoridades para responder à insatisfação social sem restringir o direito de manifestação.

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Fonte: veja.abril.com.br

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