Operação com quatro bancos privados terá prazo de 15 anos e carência de três anos; estatal também deve receber aporte público de R$ 6 bilhões em 2027
O Ministério da Fazenda autorizou a concessão de garantia da União para um empréstimo de 7 bilhões de reais aos Correios. O despacho, assinado pelo ministro Dario Durigan, foi publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 28. A operação foi negociada com Banco ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan e integra o plano de reestruturação financeira da estatal. A liberação dos recursos ainda depende da conclusão das etapas finais do processo.
A garantia do Tesouro Nacional significa que o governo federal poderá ser acionado para pagar a dívida caso os Correios não cumpram suas obrigações financeiras. A previsão é liberar 5 bilhões de reais na assinatura do contrato e os 2 bilhões de reais restantes até dezembro. O financiamento terá prazo de 15 anos, com três anos de carência antes do início dos pagamentos.
O novo crédito se soma aos 12 bilhões de reais contratados pela empresa em dezembro de 2025, também com garantia da União. Naquele momento, os recursos foram obtidos junto ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal, ao Bradesco, ao Itaú Unibanco e ao Santander.
O plano de recuperação dos Correios, previsto para o período de 2025 a 2027, inclui medidas para reduzir despesas, ampliar receitas e vender ativos. Entre as iniciativas estão um programa de demissão voluntária, a renegociação de contratos e o fechamento de unidades deficitárias. A empresa estimava inicialmente uma necessidade de 20 bilhões de reais em recursos, valor que foi revisto para 19 bilhões de reais.
Prejuízo bilionário
Os Correios registraram prejuízo líquido de 5,55 bilhões de reais no primeiro semestre de 2026, aumento de 30,36% em relação à perda de 4,26 bilhões de reais observada no mesmo período do ano anterior. Em 2025, o resultado negativo da estatal chegou a 8,5 bilhões de reais.
Além do financiamento, o governo prevê um aporte de pelo menos 6 bilhões de reais à empresa até o fim de 2027. O valor está reservado no Orçamento e consta entre as condições previstas no contrato de crédito. O aporte é separado do empréstimo de 7 bilhões de reais e deverá ser destinado à recuperação financeira da estatal.
Fonte: veja.abril.com.br