Declaração foi feita durante visita de Christopher Landau à capital argentina
O subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, declarou na quinta-feira 23, durante viagem a Buenos Aires, que o governo da Argentina, chefiado pelo ultraliberal Javier Milei, é o mais alinhado ao de Donald Trump atualmente.
“Acredito que não há outro país em todo o mundo com o qual estejamos tão alinhados quanto o governo da Argentina”, disse Landau em uma coletiva de imprensa ao lado do chanceler argentino, Pablo Quirno.
Durante a visita ao país sul-americano, marcada por anúncios de cooperação no setor de segurança, o enviado de Trump enalteceu o trabalho que Milei tem feito como chefe de Estado e afirmou que a Argentina tem condições de virar uma “superpotência econômica”.
As declarações de Landau ocorrem dois dias depois de o embaixador americano na Argentina, Peter Lamelas, afirmar os EUA só continuariam dando apoio financeiro ao país após 2027 ano de eleição da Argentina se o avanço argentino for “em direção à direita, não à esquerda”.
Em um encontro com empresários em Neuquén, Lamelas também declarou que Washington avalia projetos que poderiam mobilizar até US$ 20 bilhões (cerca de R$ 101 bilhões na cotação atual).
Questionado sobre as declarações de Lamelas, Quirno afirmou que o embaixador “diz constantemente que sua missão é que o governo argentino seja reeleito no ano que vem”.
“A única condição existente é que continuemos fazendo o que estamos fazendo; que sigamos pelo caminho do crescimento, da ordem macroeconômica e do equilíbrio fiscal”, declarou o chanceler argentino sobre as condições de apoio impostas pelo país norte-americano.
Landau reforçou, por sua vez, que o governo Trump está “satisfeito com o atual governo argentino, que estende o tapete vermelho para o investimento”.
A desconfiança dos investidores em relação à economia argentina, no entanto, voltou a crescer. Na terça-feira, 20, o risco-país atingiu 710 pontos, o maior nível desde outubro de 2025, após uma nova rodada de vendas de títulos públicos no mercado internacional. A deterioração ocorre em um momento delicado para o governo Milei, que precisa garantir recursos para pagar dívidas bilionárias no próximo ano e enfrenta condições cada vez mais difíceis para obter financiamento externo.
Segundo levantamento publicado pelo jornal argentino La Nación, os compromissos financeiros do próximo ano podem chegar a US$ 29 bilhões, dependendo das obrigações consideradas. Outras estimativas, que utilizam critérios mais restritos, apontam vencimentos próximos de US$ 21 bilhões.
Fonte: veja.abril.com.br