Analista de desempenho destaca talento das equatorianas e alerta para problemas defensivos antes do confronto deste sábado
O Independiente del Valle, conhecido como Dragonas, chega ao confronto com o Corinthians pelas quartas de final da Libertadores Feminina com jovens talentos e alternativas ofensivas, mas também apresenta fragilidades defensivas que podem ser exploradas pelo adversário. A partida acontece hoje, às 21h, no Banco Guayaquil.
A avaliação é de Lara Fontenele, analista de desempenho com experiências na Seleção Brasileira e na Ferroviária. Ela destaca a qualidade técnica das equatorianas, especialmente no meio-campo, mas aponta problemas de posicionamento e coordenação na defesa. Avalio que defensivamente ainda é muito frágil, avalia Lara. Na análise da equipe, a profissional identifica dificuldades para proteger a profundidade e coordenar o posicionamento da linha defensiva. Contra o Palmeiras, por exemplo, as bolas nas costas da defesa provocaram problemas para o Dragonas, que precisou recorrer à goleira Alice para cobrir os espaços.
Meio-campo versátil e juventude
Entre os destaques da equipe estão jogadoras jovens, algumas delas ainda presentes no contexto da seleção equatoriana sub-20. A volante Evelyn Burgos, de 19 anos, é um exemplo de versatilidade: além de atuar como camisa 5, pode jogar na lateral direita e aparecer na área para finalizar.
A capitã Charcopa, lateral-direita de origem, também já foi utilizada mais adiantada. Pico se destaca pela qualidade técnica e pela capacidade de atuar em diferentes funções no meio-campo, enquanto Mary Guerra oferece dribles curtos e habilidade para provocar faltas. Mussia, por sua vez, chama a atenção pela velocidade e pelos chutes de média e longa distância.
Outro nome é Fiorella Pico, uma das jovens promessas do futebol equatoriano. Aos 19 anos, a meio-campista atua pelo Dragonas IDV e acumula passagens pelas seleções de base e pela equipe principal do Equador. Integrante da geração equatoriana que conquistou vaga no Mundial Sub-20 de 2026, a jogadora se destaca pela qualidade técnica e pela versatilidade no meio-campo.
Segundo a análise de Lara Fontenele, Pico pode atuar em diferentes funções do setor, como volante, meia central e armadora, oferecendo alternativas para a construção das jogadas da equipe.
A combinação de juventude, mobilidade e qualidade técnica torna o Dragonas uma equipe interessante, mas a falta de coordenação defensiva pode comprometer o desempenho diante de adversários com maior capacidade de circulação de bola.

Alice Tosta, a brasileira no gol do Dragonas IDV
A goleira Alice Tosta, de 25 anos, é a representante brasileira na posição pelo Dragonas IDV. Natural de Maceió (AL), ela iniciou a formação na União Desportiva Alagoana (UDA), passou pelo Iranduba e defendeu o Red Bull Bragantino por cinco temporadas antes de se transferir para o futebol equatoriano em 2026. No primeiro ano no exterior, conquistou a Superliga Feminina do Equador e assumiu papel importante na equipe. Contra o Corinthians, Alice será uma peça relevante diante da qualidade ofensiva das brasileiras. A análise de Lara Fontenele também aponta que a goleira precisa lidar com os espaços deixados pela linha defensiva do Dragonas, que tem apresentado dificuldades de posicionamento e proteção à profundidade. Contra o Palmeiras, foi comum vê-la saindo do gol para evitar a aproximação das atacantes adversárias.

Transições podem ser o caminho contra o Corinthians
O confronto desta sexta-feira apresenta um desafio importante para as equatorianas. Lara destaca que o Corinthians tem movimentação ofensiva, qualidade técnica e capacidade de criar superioridade numérica no ataque, características que podem dificultar a organização defensiva do Dragonas.
Por outro lado, a analista identifica nas transições ofensivas uma das principais possibilidades de ameaça da equipe equatoriana. A estratégia passa por utilizar passes curtos para atrair a pressão adversária e, em seguida, acelerar com lançamentos para os espaços nas costas da defesa, aproveitando a velocidade de jogadoras como Mussia e Mary Guerra.
Os dois lados o Dragonas pode aproveitar essa transição ofensiva, afirma Lara.
Para o Dragonas, a capacidade de explorar esses espaços pode ser decisiva diante de um Corinthians que costuma construir suas jogadas com movimentação e aproximação entre as atletas. O desafio será equilibrar a busca pelo ataque com a necessidade de proteger a própria defesa. Apesar das limitações identificadas, Lara vê potencial no projeto equatoriano, que aposta em atletas jovens e em uma proposta de jogo definida. A partida contra o Corinthians será um teste importante para medir até que ponto a equipe consegue transformar sua qualidade técnica em competitividade diante de um adversário com maior poder ofensivo.

Fonte: veja.abril.com.br