Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Capital não falta ao Brasil

Mercado de capitais chega a R$ 8,9 trilhões e financia a economia real, a despeito das turbulências do ano eleitoral

O Brasil vive um paradoxo. Em ano eleitoral, com o mercado financeiro oscilando a cada pesquisa, o mercado de capitais mostra uma solidez pouco comentada. Segundo a Anbima, o estoque de recursos captados por essa via chegou a R$ 8,9 trilhões em agosto de 2026, cerca de 67,1% do PIB estimado para o ano. Em 2018, eram R$ 3,8 trilhões, ou 54% do PIB. O dado indica que a economia depende menos do crédito bancário tradicional e mais da poupança de investidores dispostos a financiar projetos de longo prazo.

A mudança é estrutural. Em dezembro de 2025, 33,6% do dinheiro captado por empresas não financeiras veio de emissões no mercado de capitais, praticamente a mesma fatia dos empréstimos bancários (33,3%). Isso significa que títulos de dívida e outros instrumentos deixaram de ser alternativa de poucos gigantes e passaram a fazer parte do cotidiano de empresas de portes variados. Em 2025, mais de 3,5 mil empresas captaram recursos por emissões de títulos, o que mostra um acesso mais pulverizado. Cresce, assim, a concorrência entre fontes de financiamento, o que tende a baratear o crédito e a ampliar a oferta de prazos.

As debêntures, títulos de dívida emitidos por empresas, ilustram bem esse avanço. O estoque saltou de R$ 346 bilhões, em 2018, para R$ 1,5 trilhão, em agosto de 2026, mais de quatro vezes o valor inicial. As debêntures incentivadas, que concedem isenção de Imposto de Renda a pessoas físicas, levantaram R$ 497,1 bilhões entre 2018 e 2025. Desse total, 86% foram aplicados diretamente em obras de transporte, logística e energia. São os gargalos que encarecem a produção nacional, e é com dinheiro privado, e não apenas com orçamento público, que passam a ser enfrentados.

O campo também se beneficia. Os títulos ligados ao agronegócio somavam R$ 1,37 trilhão em dezembro de 2025. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e os Fiagros, fundos de investimento em cadeias produtivas agroindustriais, já respondem por 33% do crédito rural recente, contra 19% em anos anteriores. O produtor ganha uma fonte de recursos menos dependente de financiamentos oficiais e de subvenções, como as do Plano Safra. O mesmo vale para a construção civil e para a expansão de empresas, que passam a captar diretamente de quem poupa.

Continua após a publicidade

Há, porém, uma condição sine qua non. A própria Anbima ressalta que sustentar esse ritmo exige ambiente de negócios estável e previsível, com segurança jurídica, regras claras, equilíbrio macroeconômico e menos burocracia. O mercado de capitais é, afinal, um mercado de confiança: o investidor de longo prazo só aplica onde acredita que contratos serão respeitados. Eleições geram volatilidade, mas os números mostram que há dinheiro disponível para investir. Cabe ao País oferecer daqui para frente estabilidade institucional para que esses recursos continuem chegando à produção, ao emprego e à infraestrutura.

Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar