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Call of Duty mostra nova guerra entre as Coreias e provoca debate político

Call of Duty: Modern Warfare 4: novo jogo simula guerra entre os países vizinhos, vira pauta na política e acende debate sobre liberdade de expressão

Uma guerra fictícia entre as duas Coreias transformou um lançamento de videogame em tema de debate na Assembleia Nacional sul-coreana. Diante de questionamentos sobre o conteúdo de Call of Duty: Modern Warfare 4, o ministro da Cultura, Choi Hwi-young, defendeu que jogos, assim como filmes, são formas de expressão criativa protegidas pela Constituição. A posição do ministro foi a de que o governo não pode suprimir uma obra simplesmente por seu conteúdo político.

Os jogos não estão sujeitos à censura prévia, afirmou Choi durante a auditoria anual do Parlamento, na sexta-feira passada, último dia 23,  segundo o jornal The Korea Herald.

Desenvolvido pelo estúdio americano Infinity Ward e lançado mundialmente também na sexta, dia 23, o jogo coloca o participante no papel de um jovem soldado sul-coreano que combate as forças do Norte ao lado de seus companheiros. A história apresenta uma invasão em grande escala da Coreia do Sul, com batalhas por toda a península, incluindo combates urbanos em Seul.

A trama ainda retrata turbulências políticas na liderança norte-coreana e a morte fictícia do líder do país. Uma sequência de ataque a um complexo semelhante ao quartel-general da liderança do Norte chamou a atenção nas redes.

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O lançamento foi usado por parlamentares da oposição para criticar a política do presidente Lee Jae Myung em relação à Coreia do Norte. Desde a posse, o presidente tem defendido a retomada do diálogo com o país vizinho. O conservador e ex-ministro da Justiça Han Dong-hoon e o deputado Ahn Cheol-soo, do Partido do Poder Popular, recomendaram que Lee jogasse Call of Duty. A sugestão foi apresentada por eles como uma forma de questionar a preparação militar do país e a abordagem do governo nas relações com o Norte.

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O tema envolve um conflito que permanece sem tratado de paz: a Guerra da Coreia, de 1950 a 1953, foi interrompida por um armistício, e os dois países continuam tecnicamente em guerra.

A discussão sobre liberdade criativa também provocou comparações com Assassin(s), suspense histórico sul-coreano lançado no mês passado. O filme retrata o assassinato da então primeira-dama Yuk Young-soo, em 1974, e foi criticado por conservadores por sugerir um possível envolvimento da agência de inteligência do país.

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Parlamentares conservadores defenderam que a liberdade atribuída ao cinema deve valer também para os videogames. A deputada Park Soo-young, do Partido do Poder Popular, argumentou no Facebook que aqueles que tratam o filme como ficção devem aplicar o mesmo princípio a Call of Duty. Seu colega de partido Joo Jin-woo afirmou, em entrevista no YouTube, que a representação de um conflito futuro hipotético está dentro dos limites da liberdade criativa.

No campo governista, o deputado Kim Han-kyu, do Partido Democrático da Coreia, publicou um vídeo nas redes intitulado Qual o problema em comprar Call of Duty?. Para ele, videogames não devem ser regulamentados a menos que violem a lei. O parlamentar também sugeriu que cenários coreanos familiares podem tornar o jogo mais atraente para o público local:

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Considerando que tecnicamente ainda estamos sob um armistício, seria mais estranho se não houvesse simulações de uma guerra contra a Coreia do Norte,  disse Kim.

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Fonte: veja.abril.com.br

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