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Até onde o dólar pode ir sem novas sinalizações fiscais do governo

Incertezas sobre a condução das contas públicas pressionam o real após as eleições; Goldman Sachs, Barclays e Morgan Stanley estimam altas

O dólar pode avançar para 5,50 reais ou até superar 5,70 reais nas próximas semanas caso o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apresente sinais de compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Em uma hipótese mais adversa, marcada pelo agravamento das incertezas fiscais, a moeda americana poderia alcançar 6 reais, segundo projeções do banco americano Morgan Stanley. A trajetória do câmbio dependerá, sobretudo, das decisões da equipe econômica e das medidas que o governo anunciar para a condução da política fiscal.

A reação dos mercados à vitória de Lula no segundo turno já levou a moeda americana a um patamar mais elevado. Antes da votação, o dólar era negociado a 4,96 reais. Na segunda-feira, 26, encerrou o pregão cotado a 5,40 reais. Nesta terça-feira, 27, recuava pouco mais de 1%, para 5,35 reais no fim da tarde. Apesar da queda mais recente, projeções de grandes instituições financeiras indicam que a pressão sobre o real pode continuar.

O banco Goldman Sachs calcula que o dólar possa se aproximar de 5,60 reais, o que representaria uma alta de aproximadamente 12% em relação ao patamar anterior ao segundo turno. Na avaliação do banco, o movimento reflete tanto a surpresa com o resultado eleitoral quanto o aumento da preocupação dos investidores com a situação fiscal. A intensidade e a duração da reação, porém, dependerão das sinalizações do governo reeleito, especialmente sobre a composição da equipe econômica e os primeiros passos da política fiscal.

O Morgan Stanley também trabalha com uma deterioração adicional do câmbio. Em um primeiro momento, o banco vê espaço para a moeda americana chegar a 5,50 reais. Caso as incertezas avancem, a cotação poderia subir para uma faixa entre 5,60 e 5,70 reais. A instituição considera que a ausência de compromissos concretos com a contenção de gastos nas próximas semanas aumentaria a probabilidade de um cenário ainda mais desfavorável para os ativos brasileiros.

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Nessa hipótese, o dólar poderia chegar a 6 reais, de acordo com a análise do banco. O cenário mais pessimista também contemplaria uma elevação dos juros futuros: as taxas dos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2029 poderiam alcançar 16,50%. Com os investidores passando a considerar a possibilidade de novas altas de juros, cresceria ainda a chance de o Banco Central intervir para conter a desvalorização do real. O Morgan Stanley ressalva, contudo, que o patamar de 6 reais corresponde a uma situação de agravamento dos riscos fiscais, e não à sua projeção imediata.

A preocupação da instituição está relacionada à trajetória da dívida pública. Em seu cenário-base, o banco estima déficit primário equivalente a 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 e dívida bruta de 86,9% do PIB. Em uma simulação na qual o ajuste fiscal seja realizado tardiamente e tenha alcance limitado, a dívida poderia atingir 106% do PIB em 2035. A perspectiva de deterioração das contas públicas tende a elevar a percepção de risco dos investidores e, consequentemente, pressionar o câmbio e os juros.

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O Barclays também prevê turbulência nos mercados brasileiros após o resultado eleitoral e estima que o dólar possa avançar inicialmente para a região de 5,50 reais. A instituição destaca que os investidores estarão atentos à escolha do próximo ministro da Fazenda e às indicações sobre a agenda econômica. A sinalização de políticas fiscais mais expansionistas, em linha com compromissos assumidos durante a campanha, seria um fator adicional de preocupação para os mercados.

Outras instituições também enxergam espaço para novas perdas dos ativos brasileiros. O BTG Pactual estima que o real possa se desvalorizar entre 10% e 15% em relação ao nível anterior ao segundo turno. Já o JPMorgan reduziu sua recomendação para o real e para títulos públicos brasileiros denominados em moeda local, passando de uma exposição superior à referência de mercado para uma posição neutra. O banco também trabalha com dólar a 5,50 reais e calcula que as ações brasileiras poderiam recuar cerca de 20% em relação aos níveis anteriores à reação eleitoral.

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O principal ponto de atenção, portanto, será a capacidade do governo de reduzir as dúvidas sobre a condução das contas públicas. Sinais de compromisso com o ajuste fiscal podem limitar a pressão sobre o real e reverter parte da alta do dólar. Na ausência dessas indicações, as projeções de grandes bancos colocam 5,50 reais como um nível inicial de referência para o câmbio, enquanto cotações entre 5,60 e 5,70 reais aparecem em cenários mais adversos. A marca de 6 reais permanece associada a uma deterioração mais intensa das expectativas fiscais.

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Fonte: veja.abril.com.br

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