Ofensiva com mísseis e drones danifica instalações energéticas e mata três pessoas; Zelensky critica aliados por não alertarem sobre bombardeio
Um ataque russo de grandes proporções contra a Ucrânia deixou mais de meio milhão de residências sem energia elétrica na madrugada desta segunda-feira, 19. Uma das maiores ofensivas aéreas de Moscou nos últimos meses atingiu instalações de energia em diferentes regiões do país e provocou danos a edifícios residenciais nos arredores da capital, Kiev.
Segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, as forças russas lançaram 16 mísseis balísticos contra Kiev e regiões próximas, além de mais de 200 drones em diferentes partes do território. Mais de dez instalações energéticas foram danificadas. As autoridades relataram três mortes: uma mulher em Kiev e outras duas pessoas na cidade industrial de Kryvyi Rih, cidade natal do mandatário ucraniano, segundo a agência Reuters.
Em Irpin, na região metropolitana da capital, uma moradora de 58 anos relatou à Reuters o desespero durante a explosão que atingiu um edifício residencial. Segundo ela, o impacto derrubou móveis dentro do apartamento e deixou seu marido preso sob um armário.
Críticas a aliados
Após a ofensiva, Zelensky criticou a falta de alertas prévios de seus parceiros internacionais. Em uma publicação no Telegram, o presidente afirmou que a Ucrânia não recebeu informações antecipadas sobre o ataque com mísseis balísticos. A queixa ocorre em meio ao desgaste das relações entre Kiev e Washington, sob o governo de Donald Trump.
Quando as entregas de mísseis para a defesa aérea da Ucrânia são bloqueadas, enquanto a Rússia recebe alívio ou adiamentos nas sanções, isso é, infelizmente, uma negação da realidade por parte de nossos parceiros, escreveu.
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A crítica ocorre em meio a uma disputa sobre o funcionamento dos sistemas de comunicação por satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk. Nesta segunda-feira, Zelensky afirmou que equipamentos do Starlink e do Starshield deixaram de funcionar em diferentes setores da linha de frente quando utilizados a velocidades entre 130 e 161 quilômetros por hora. Segundo o presidente, a limitação prejudica a logística militar e restringe o uso de drones de ataque de médio alcance e de aeronaves não tripuladas usadas para interceptar drones russos.
Na semana passada, autoridades ucranianas acusaram os Estados Unidos de restringir deliberadamente o funcionamento do sistema militar Starshield, também operado pela SpaceX. A medida teria prejudicado operações com drones, usados pelas forças ucranianas tanto em ataques contra posições russas quanto na interceptação de aeronaves inimigas. Trump negou responsabilidade pelas restrições, enquanto seu governo contestou as acusações de Kiev.
Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, o compartilhamento de informações de inteligência pelos Estados Unidos tem sido importante para que a Ucrânia detecte lançamentos de mísseis balísticos e se prepare para ataques. A falta de alertas antecipados reduz o tempo disponível para que as forças ucranianas acionem os sistemas de defesa aérea e para que civis procurem abrigo.
Fonte: veja.abril.com.br